A gente não quer só comida

José Roberto Lima / 10/07/2019 - 06h00


Já participei de movimentos de ajuda aos necessitados. Já liderei crianças numa eleição de síndicos-mirins. Cada rua do condomínio tinha uma criança exercendo a função. 

Durante esse evento, as crianças visitaram conosco creches e asilos. Foi assim que me aproximei de dois grupos de pessoas que me encantam: crianças e idosos. Elas, porque adoram fantasias, sobretudo as contadas em estórias. E os idosos porque necessitam do que é raro ultimamente: paciência.

Pertenço a um grupo que leva comida e agasalhos aos necessitados. É um exercício de fé, embora sem vínculo com qualquer religião. Mas damos resposta à frase inquietante, inscrita nos conventos beneditinos: “Ore e labore”.

Foi assim que conhecemos pessoas que, morando na rua, passaram num concurso. Também conhecemos violeiros, pianistas, etc. Conhecemos desde analfabetos até pós-graduados que abandonaram tudo. Para ser mais exato, foram abandonados, quase sempre pela família.

Eis as motivações do abandono: vício em álcool e outras drogas, desemprego, inveja, além de pequenos desabafos que resultaram em pequenos pecados que se tornaram imperdoáveis. E, passando por todas as privações, duas coisas chamam a atenção nas atitudes deles. 

Uma delas é a generosidade. Ah, quantas vezes eu os vi dividindo um sanduíche, quando só tínhamos um para doar. Enquanto isso, há pessoas que, nunca tendo enfrentado dificuldades, compram um lanche e entram no quarto para devorar feito um bicho, sem compartilhar sequer com os familiares.

Outra coisa que chama a atenção é o que eles realmente querem. Não se trata de comida. O que eles querem é um abraço. E que não desinfetem as mãos depois de cumprimentá-los. Eles querem o que todos nós queremos: ser tratados sem desprezo.

E, tratando-os assim, ajudamos vários deles, inclusive, na volta aos estudos e triunfo nos concursos. Então, pensemos na frase da banda Titãs: “A gente não quer só comida”.

A todos e todas, de todas as classes sociais e de todas as inquietações existenciais, eu desejo bons estudos.

 

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