Foi colar e quase morreu

José Roberto Lima / 16/09/2020 - 06h00
No artigo do último dia 2.09, escrevi sobre a sensação de "colar" durante uma prova de concurso público. Refiro-me ao candidato que, de tão bem preparado, lê as questões e consulta os esquemas mentais na sua cabeça. 
 
Essa é a performance de quem quer se dar bem. Porque, mais que memorizar dados para uma prova, é assim que se aprende conteudos úteis em outras avaliações e - enfim - úteis para a vida. Mas, relembrando um dos "causos" que presenciei na Segurança Pública, leia a seguir uma exceção que confirma a regra.
Aquele candidato foi brilhante nas provas escritas, conquistando uma das primeiras posições para um cargo na carreira policial. Valendo-se da sua autodisciplina, levantava-se às 5h da manhã e treinava para a prova de aptidão física.
 
Porém, ele tinha uma limitação: não sabia nadar. E decidiu estudar todos os movimentos necessários a um bom nadador. Até tentou algumas vezes praticar a natação. Mas era tomado pela fobia da piscina. 
 
Mesmo assim, estava determinado a não fracassar. E, entre corridas, saltos em altura e subida na corda, sempre alcançando a performance exigida no teste físico, ficava pensando nos movimentos de um bom nadador. 
 
Assistiu a dezenas de vídeos de natação. Na teoria, tornara-se um exímio nadador. No dia do teste, à beira da piscina, fez uma última revisão mental dos movimentos necessários para nadar, isto é, fez uma “cola” para se lembrar do que deveria fazer dentro da água.
 
É claro que não deu certo. Foi uma mistura de “videocassetada” com evento de segurança pública. O tão aplicado candidato quase morreu. Felizmente conseguiu gritar por socorro e foi retirado da água pelos aplicadores do teste. 
 
No ano seguinte, para a surpresa dos mesmos aplicadores, lá estava o mesmo candidato. Havia passado novamente e parecia mais confiante para fazer o teste físico.
 
- Você aqui de novo! Você é louco! Vamos ter que te socorrer outra vez.
 
- Nada disso. Eu fiz terapia... venci o medo da água... aprendi a nadar... e aqui estou.
 
De fato, apesar da apreensão dos aplicadores, ele nadou feito um peixinho. E se tornou um dos melhores policiais que eu já conheci. Então, que este “causo” sirva de inspiração. Porque, às vezes, para superar um obstáculo, não basta estudar. É preciso buscar ajuda na Psicologia, ou na Pedagogia, ou na Medicina, ou noutros ramos profissionais para sermos vencedores.
 
A todos eu desejo bons estudos.
 
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