Deu uma olhada no processo?

Kênio Pereira / 08/06/2020 - 06h00

Quando um advogado é procurado por um cliente em busca de uma solução para o seu problema, é comum haver uma reunião inicial, uma consulta, que balizará o serviço a ser prestado. Porém, é preciso compreender que a consulta e o serviço contratado são questões distintas. Ao marcar uma consulta com o advogado este não tem certeza de que ela realmente será realizada, pois em muitos caso o consulente não comparece. Por isso, é ilógico o advogado investir horas de estudo sobre documentos ou um processo sem antes ocorrer a consulta, que às vezes pode orientar o consulente a não litigar ou que sua pretensão é inviável juridicamente. 

A consulta é apenas o primeiro passo
A consulta é o momento para a primeira troca de ideias, para o cliente passar informações sobre o caso e apresentar os documentos pertinentes, sendo que a partir dela se seguirão os atos seguintes, que podem resultar ou não na contratação do serviços do advogado consultado.
Um profissional especializado e ético visa atender o seu cliente de maneira técnica, pois o objetivo de uma consulta é auxiliar o consulente a traçar uma estratégia para enfrentar o problema. A partir do relato e de uma primeira verificação dos documentos, que contextualizam e materializam os fatos narrados, o advogado orienta o cliente sobre as provas necessárias para fundamentar o ajuizamento de uma demanda judicial, analisa a viabilidade de uma tentativa de solução extrajudicial, confere a possibilidade de um acordo, devendo ser claro ao se posicionar perante o cliente para informá-lo, até mesmo, que ele não tem o direito que pretende pleitear. Infelizmente, não são raros os relatos de profissionais que criam dificuldades, ao invés de soluções, para forçar a contratação dos seus serviços.

Expectativa X Realidade
Há casos de pessoas que ao agendarem uma consulta com o advogado criam a expectativa de que naquela reunião que dura até 1 hora (tempo esse superior ao da maioria dos outros profissionais que cobram consulta) haverá além da conversa e da leitura pontual de algum documento, também a análise detalhada de dezenas de páginas de documentos ou de um processo judicial já existente, enfim, idealizam o impossível, pois em nenhuma consulta há tempo para tudo isso. 
Deve-se entender que a análise de um processo para a elaboração de um posicionamento técnico, na prática consiste num parecer jurídico. Este serviço deve ser contratado, sendo inviável que isso ocorra antes de uma consulta cujo valor, na maioria das vezes, é insuficiente para remunerar horas e horas de estudo de um caso. 
O valor da consulta leva em consideração o seu tempo de duração somado à expertise do advogado, à sua visão especializada, mas não o paga para prestar serviços antes da reunião. Somente após a consulta, sendo viável o caso, se justifica a análise de diversos documentos ou processos mediante ao ajuste do honorário para custear o tempo que será dispendido.

O serviço deve ser contratado
Traçada a estratégia de atuação na consulta, combinado os honorários entre advogado e cliente e após a celebração do contrato de prestação de serviços, começará a atuação do advogado. Somente, após devidamente contratado, é realizado o estudo completo do caso de maneira detalhada e minuciosa, sendo executado o serviço para solucionar o problema do cliente. 

 

 

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