Por que mudei do edifício?

Kênio Pereira / 17/05/2021 - 06h30

O ambiente condominial pacífico é valioso para qualquer morador, podendo ser considerado parte do seu patrimônio, pois contribui para sua saúde e bem-estar, favorecendo a sua produção laboral. Diante disso, o apartamento pode ser valorizado ou desvalorizado em decorrência da conduta dos moradores, pois em alguns casos, ao analisarmos o livro de atas e o volume de conflitos, constata-se um grande risco de vir a residir em verdadeiros “condemônios”. 

Em muitos casos, a paz no edifício é comprometida porque pessoas atrevidas se aproveitam do fato de que a maioria dos condôminos, por serem demasiadamente amistosos, não tem disposição para enfrentar criadores de conflitos. Essa dificuldade de enfrentar pessoas desrespeitosas estimula o surgimento de novas discussões, o que torna o ambiente condominial insuportável.

Mudar não é a solução, pois causa prejuízo

Muitos condôminos, por desconhecimento, estimulam, sem querer, o aparecimento de atritos e discussões em seu edifício por deixarem de encarar, com firmeza, o morador problemático, que se sente livre para continuar a prejudicar a coletividade. Com o tempo, essa situação pode se agravar e os moradores de boa índole que escolhem não se envolver no assunto, acabam não suportando o ambiente pesado e optam por vender seu apartamento e mudar de edifício, o que acarretará prejuízos, pois terá que arcar com gastos que poderiam ser evitados: comissão de corretor, ITBI do novo apartamento, escritura e seu registro, adequações na nova moradia (armários, cortinas, decoração) etc. Estima-se que uma mudança dessas acarreta um prejuízo financeiro ao vendedor do apartamento de 15% a 20% do valor do imóvel.

Quanto vale a saúde?

A saída dos bons moradores dificulta ainda mais o trabalho de melhorar o clima no edifício, sendo que os condôminos corretos que enfrentam os causadores de problemas, com o tempo, devido ao nível de estresse, veem sua saúde ser comprometida. Assim, pelo seu bem-estar e de sua família, muitas vezes desistem de lutar por seus direitos, pois o morador mal-intencionado, infelizmente, é incansável no seu desejo de criar confusão.

Investir em um profissional para buscar a paz

Esse cenário nocivo, capaz de afetar a saúde ou causar a mudança do condômino, envolve grande complexidade. Esse assunto precisa ser conduzido de maneira técnica e profissional.

Porém, muitas vezes os condôminos desejam contratar um advogado altamente capacitado, que “compre sua briga”, mas não querem pagar o preço desse serviço.

Ocorre que o valor dos honorários do advogado é estimado a partir da complexidade do caso, o que envolve o desafio a ser superado, desde os aspectos jurídicos até os riscos à saúde física e psicológica do profissional. O advogado é humano e em regra, atua no campo da normalidade, defendendo interesses e direitos quando há discordância de entendimentos em nível respeitoso. Advogar para condomínios, muitas vezes, acarreta situações atípicas, com embates calorosos e até pessoais, sendo fundamental valorizar o profissional que aceitar correr esses riscos.

 

 

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