Quer perder uma amizade? Vire credor do amigo

Kênio Pereira / 02/08/2021 - 06h00

A relação comercial, por envolver interesse financeiro, deve ser realizada somente quando não colocar em risco as partes do negócio, pois ninguém deseja sofrer prejuízos. Quando a questão envolve pessoas que não se conhecem, a impessoalidade facilita a exigência de garantias caso ocorra a inadimplência por uma das partes. Porém, quando há o envolvimento de parentes ou amigos, surge o constrangimento e até a impossibilidade de pagamento que podem acabar com o vínculo afetivo daqueles que se gostam.

Atenção com a fiança
Na locação de imóveis, a garantia mais comum utilizada é a fiança, pela qual uma pessoa assegura o pagamento do aluguel ao locador, caso o inquilino não pague, comprometendo-se a perder, até mesmo, seu imóvel para quitar o débito. Ocorre que muitos inquilinos contam com parentes e amigos mais próximos quando precisam de um fiador, mas ignoram o fato de que se houver o débito, restará ao irmão, cunhado ou compadre a obrigação de pagar, sendo que estes podem ter suas moradias penhoradas e leiloadas em razão da dívida da pessoa a quem ajudou. Caso isso aconteça, certamente haverá o fim do carinho que antes existia entre eles.

Comprometer a relação fraterna é fácil, pois a proximidade permite que os envolvidos tratem diretamente entre si, o que causa mais desgaste do que seria necessário. Isso reforça a importância da imobiliária, que deve contar com a ajuda do fiador para intermediar a solução do problema com rapidez, de maneira menos traumática. Poderá ser mais viável encerrar a locação no caso de inadimplência, o que impedirá o aumento da dívida a ser paga pelo fiador.

Ser credor não combina com amor
Situações como a da fiança ocorrem também quando alguém empresta dinheiro a um ente querido, acreditando que receberá integralmente o valor combinado na data certa. Basta ocorrer o atraso para estremecer o afeto, pois o credor que deixa de receber seu dinheiro se sente desrespeitado e desprestigiado pelo amigo a quem ajudou no momento de necessidade, sendo que agora o próprio credor pode estar precisando do valor que deveria ter sido devolvido. Por outro lado, para o devedor que é cobrado, o credor deveria ser mais tolerante e de maneira absurda qualifica como injustiça ou ganância o desejo de receber o que lhe é devido.

Perder o negócio ou o amigo?
Ao se deparar com o pedido de um amigo ou parente para emprestar ou ser fiador, é preciso refletir sobre os seus riscos, tanto financeiros quanto pessoais. Essa avaliação permitirá decidir sobre seguir ou não em frente no negócio pretendido. A experiência comprova que é melhor evitar o risco, sendo preferível alugar para um estranho por meio da imobiliária do que diretamente para um amigo.

Há alternativas para cada situação, sendo que na locação, por exemplo, além da fiança, há outras garantias, como o seguro fiança ou a caução. No mesmo sentido, deve-se lembrar que quem empresta dinheiro é banco ou financeira, sendo arriscado contar com alguém com quem se importa. Mas, caso não haja opção, que seja tomado o máximo cuidado, sendo o contrato a melhor ferramenta para tentar preservar o que é mais valioso, isto é, a boa relação entre as pessoas.

 

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