Trabalho intelectual deve ser respeitado e valorizado

Kênio Pereira / 07/06/2021 - 06h30

Por advogar há mais de três décadas, várias vezes recebi pedidos para analisar contratos sem cobrar pelo trabalho. Muitos colegas também passam por essa situação, sendo que quem propõe isso a um profissional, o desvaloriza. Pelo mesmo problema passam os engenheiros, arquitetos, contadores, corretores, dentre outros vários prestadores de serviço.

O trabalho intelectual é mais difícil de visualizar, não é palpável como um relógio, eletrodoméstico, móvel ou alimento que a pessoa compra no supermercado ou em lojas. Mas esse trabalho existe e tem custo, pois para orientar o profissional investiu anos numa faculdade. 

Com a orientação de um advogado na hora de fechar negócio, o comprador de um imóvel pode investir suas economias com segurança, evitando problemas futuros.

Problemas evitáveis com o auxílio profissional

São comuns os casos de comprador que descobre que o imóvel adquirido possui dívidas do vendedor e que o bem pode vir a ser leiloado em razão disso. O profissional contratado para atuar no caso, previamente, faz o levantamento das informações que podem colocar seu cliente em risco, podendo orientá-lo a não fechar o negócio para evitar prejuízo que pode chegar a 40% do valor do bem.

Da mesma forma, o condomínio que busca um especialista pode criar uma convenção que contenha regras claras e inibidoras de condutas antissociais, o que evitará litígios. Porém, por serem as convenções redigidas por quem não advoga nos litígios imobiliários, o que se constata é a redação de artigos confusos, que afrontam as leis, resultando num documento indutor de nulidades, que estimula mais conflitos do que soluções.

Há também as empresas que economizam milhares de reais em tributos ao contratarem uma consultoria especializada, sendo que o valor pago ao profissional é muito inferior ao que o cliente arcaria em impostos sem sua atuação. Nota-se, portanto, que honorário advocatício é investimento, e não custo.

É preciso que as pessoas se perguntem: quanto vale o meu sossego? Quanto vale o trabalho da pessoa que irá evitar ou resolver meu problema? Ao deixar de analisar essas questões, muitos desrespeitam o profissional qualificado, que investiu em seus estudos para se especializar, ao solicitarem “consultas grátis”, como se um posicionamento técnico fosse uma simples opinião.

Ninguém se alimenta e paga as contas com agradecimento ou indicação

Sem cobrar por seu conhecimento, como o profissional pagaria seus compromissos, aluguel, empregados, impostos e a manutenção do seu negócio? Lembro de um dono de um restaurante que solicitou a análise do contrato de locação e se surpreendeu quando disse que cobraria. Ele falou: isso para você é simples, não tem por que cobrar, e eu o indicarei para várias pessoas.

Então, respondi: se eu fosse ao seu restaurante com minha família e jantasse, você aceitaria que eu deixasse de pagar por ser simples para você cozinhar? Aceitaria como pagamento? “Gostei do seu atendimento e o indicarei para meus amigos”.
 

 

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