Teatro empresarial

Luciano Luppi / 26/12/2014 - 07h27

O teatro empresarial está começando a ampliar a sua fatia no mercado de trabalho. São muitos grupos atuando em prol de uma melhor comunicação entre os funcionários de uma empresa, para incentivar o uso de equipamentos de proteção individual, apresentar novos procedimentos no ambiente de trabalho, ou, no mínimo, para entreter os participantes de algum treinamento monótono ou extremamente técnico.

Os grupos especializados na tarefa de usar o teatro como uma ferramenta para o empresário motivar, orientar e treinar os seus empregados estão crescendo e, para se manterem no mercado, estão criando diferenciais na suas propostas de intervenções. Afinal, os empreendedores exigem sempre inovações, e os artistas precisam movimentar a sua criatividade e a sua conta bancária. Mas nem sempre foi assim, essa modalidade de teatro é relativamente nova e é difícil definir quando todo esse movimento começou.

Foi procurando referências nos meus “guardados” que, com muita alegria e surpresa, me deparei com um artigo escrito em 1996, há exatos 18 anos, pelo jornalista Edmilson Resende, do Hoje em Dia, com o título: “Consultores Cênicos Revolucionam RH”. Na reportagem ele entrevista dois profissionais que já estavam atuando na área há algum tempo: esse que ora vos fala e Júlio Margarida, da Grafite. É interessante observar que, na época, não se usava ainda a expressão “teatro empresarial”, éramos chamados de “consultores cênicos”.

Fazendo jus a outros artistas que, há mais tempo atrás, já haviam iniciado este processo, devemos citar Sylvio Zilber, de São Paulo, do Ilace – Instituto Latino Americano de Criatividade e Estratégia, um grande ator e diretor de teatro emprestando seus recursos para desenvolver a criatividade e a estratégia no âmbito corporativo.

Entretanto, naquela época, eram poucas as empresas que tinham a ousadia de experimentar essas novidades. Hoje, são muitas. É perceptível o fato de que a atividade vem se desenvolvendo há poucas décadas, e apenas nos últimos dez anos ganhou fôlego e se tornou um verdadeiro mercado de trabalho para artistas cênicos, chegando a desfalcar elencos e criar alguns conflitos dentro da classe artística. Afinal, atuar no teatro empresarial dá mais segurança financeira, pelo fato do trabalho ser contratado e não depender de toda uma logística complicada quando se tenta colocar público pagante numa casa de espetáculo. Alguns dizem que estamos perdendo artistas para o teatro empresarial. Mas, se pensarmos numa batalha, podemos considerar que os artistas que atuam nesse meio são como guerreiros que resolvem lutar em outros campos e que, quando retornam, trazem uma bagagem maior de experiência, recursos e técnicas, e que, é claro, se forem bem utilizados, poderão enriquecer a arte de interpretar e ajudar na expansão das fronteiras da comunicação.

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