Dinheiro, pra que dinheiro?

Luiz Hippert / 12/05/2015 - 09h13

“Dinheiro, pra que dinheiro, se ela não me dá bola...”

Começa assim um sambinha das antigas, do Martinho da Vila. Uma maneira de dizer que nem sempre o dinheiro é a solução pros problemas, ou o caminho para conseguir aquilo que se quer. Por outro lado, alguns ditos populares afirmam que “dinheiro compra tudo, até amor verdadeiro”, ou “dinheiro não traz felicidade, mas manda buscar”.

Talvez você conheça o caso de Heidemarie Schwermer, a alemã que resolveu viver sem dinheiro. Ela tinha uma vida confortável, apartamento, carro e tal. Aí resolveu abrir mão de tudo e viver desse modo alternativo. Até conseguiu, e lá se vão quase 20 anos nessa. Mas, pra ela viver sem dinheiro, é necessário que outros tenham, né. “Sempre dependi da bondade de estranhos”, já dizia Blanche Dubois, personagem do clássico “Um Bonde Chamado Desejo”, peça de Tennessee Williams, que ganhou também versões no cinema. É isso, o sustento de qualquer um, inclusive da alemã dessa história, precisa sair de algum lugar. Ou seja, do bolso de outras pessoas, que continuam levando uma vida “normal”.

O fato é que, por mais que a gente reme contra a maré de uma sociedade de consumo excessivo, pra umas coisas não tem jeito. Todo mundo precisa morar, se vestir e comer. No mínimo. E comer, que é o principal pra garantir a sobrevivência, é a coisa mais cara que tem. Quer ver?

Você compra uma calça, por exemplo. Vamos colocar aí um preço regular, de uns 100 reais. Essa calça vai vestir no mínimo por um ano. E comer, quanto tempo você come com 100 reais? Ah, mas tem coisas bem mais caras. Vejamos... Uma TV! Tá, vai custar aí, das boas e moderninhas, por volta de dois mil dinheiros, se tanto, pagos em 10 suaves prestações (nem tão suaves) de 200. Mas, se nada de excepcional acontecer, ela vai durar bem uns 10 anos. A minha eu tenho desde 1997. Das primeiras de 29 polegadas, tubão. Nunca deu defeito. Quantos ANOS você come com dois mil reais?

Em contrapartida a essa inegável necessidade de grana, as pesquisas mais recentes sobre trabalho e emprego apontam que não, não é o salário que ocupa o topo das expectativas de muitos daqueles que buscam uma colocação. Muitas pessoas hoje dão mais valor a questões como a relevância das suas atividades para a sociedade e as possibilidades de ascensão na carreira dentro da empresa onde se pretende atuar.

Quem sabe não seja este um sinal de que estamos nos aproximando de um novo tempo, de mais equilíbrio, onde não mais avaliaremos o sucesso – nosso e dos outros – baseados somente no saldo bancário, mas também no extrato do bem estar e da realização pessoal.
 

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