120 anos depois

Manoel Hygino / 11/09/2019 - 06h00

Na terça-feira, 3 de setembro, realizou-se a inauguração da Faculdade Santa Casa BH. O provedor da instituição, Saulo Coelho, como a solenidade se alongava, pôs o discurso no bolso e disse algumas palavras sobre o evento. Os secretários de Saúde do Estado e do município, respectivamente Carlos Eduardo Amaral e Jackson Machado Pinto, não ouviram, assim, o que Saulo diria, naquele momento.

O provedor, contudo, lembrou que, exatamente 230 anos atrás, os Inconfidentes mineiros tinham incluído em seu projeto de emancipação política a criação de uma universidade. Davam, assim, ao movimento emancipatório conteúdo humanístico e certeza ao povo mineiro de um instituto de ensino superior, para assegurar desenvolvimento e evolução da cultura, que já distinguiam a província no século 18.

Aliás, quando se cogitou, já na República, da criação de uma universidade no Brasil, a província de Minas foi preferida para recebê-la, por ser a mais populosa desde o Império, a mais polida do interior e geograficamente a mais adequada no meio das demais.

Evidenciou-se, à suficiência, que a semente lançada pelos Inconfidentes começava a estimular o idealismo de políticos interessados em educação. O deputado Acaiaba de Montezuma, que sequer era mineiro, teve participação muito ativa à época. Afirmou: “a haver uma só universidade, deve ser em Minas Gerais”. A posição do parlamentar e de outros ilustres homens públicos do Brasil ecoou rigorosamente.

Mais à frente no tempo, Antônio Carlos, presidente do Estado, instituiu a Universidade de Minas Gerais, em 1927 quando já existia a Faculdade de Medicina, (implantada em 1911, hoje da UFMG). Sem pretender alongar-me no assunto, acrescenta-se apenas algo sobre esta história.

A Santa Casa, primeiro hospital e instituição na área de saúde da nova capital, já somava 12 anos quando da inauguração do primeiro instituto de formação médica em BH. A entidade, desde seu nascedouro, demonstrando sua vocação para a saúde e o ensino, praticava a arte hipocrática, mas paralelamente teve notável presença no ensino, contando com atuação de expressivos vultos da medicina brasileira.

Ao longo de sua existência, a Santa Casa possibilitou a criação também da Faculdade de Ciências Médicas, cumprindo seus deveres com a cidade e com a comunidade médica. Tanto que, instalou, em 2001, o seu Instituto de Ensino e Pesquisa, para oferecer importantes cursos, como de doutorado e mestrado, além de programa de residência e especialização médica, e outros. Além, evidentemente, de manter a Escola Técnica, opção para os interessados em adquirir conhecimento e qualificação em ações de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação, referenciadas nas necessidades de saúde individuais e coletivas.

Dá-se um precioso passo agora, com a inauguração da Faculdade Santa Casa, com projetos já aprovados pelo Ministério da Educação. Saulo Coelho observou: “nossa centenária instituição está absolutamente consciente do papel que assume no limiar da segunda década deste século, para servir unicamente à saúde e na formação de seus profissionais. Os atos de hoje assinalam um imperativo na presente realidade e complemento lógico das atividades da Santa Casa nos seus doze decênios de existência e labor”.

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