A comunidade judaica entre nós

Manoel Hygino / 17/08/2013 - 07h45

Tenho e tive bons amigos judeus, alguns já se foram na viagem definitiva. Mas não se pode ignorar os serviços que eles prestaram e prestam à humanidade, bastando consultar os nomes dos que já ganharam o Nobel da Ciência e de Paz. São homens e mulheres vistos nas telas das televisões e no palco de grandes companhias teatrais, no cinema, na indústria e no comércio. E o seu número é maior do que se pensa.

Quem quiser conferir poderá recorrer a “Os judeus no desenvolvimento brasileiro”, de Hertz Uderman, contendo nomes, histórias e curiosidades da comunidade judaica no Brasil e no mundo. A segunda edição saiu com prefácio de Arnaldo Niskier, escritor, professor, jornalista, antigo companheiro na “Manchete”, membro da Academia Brasileira de Letras.
Niskier observa que Hertz Uderman não é simplesmente um grande empresário, pois também um homem afeiçoado ao dever social de prestar apoio a iniciativas sem finalidades lucrativas. Em nosso meio, Hertz colabora no Centro de Integração Empresa-Escola, de que Arnaldo foi presidente do Conselho de Administração (e eu, com Abílio Machado Filho, fui um dos fundadores da entidade em Minas).

É útil para entender o assunto conhecer o que disse Simon Dubnow em “História Universal do povo judeu”. Recorre-se a um episódio envolvendo o Marquês de Pombal, em 1774, quando se pretendeu saber quem era descendente de Marranos ou cristãos-novos, em Portugal. Com o fim da inquisição no país, D. José I expressou intenção de que os Marranos fossem no mínimo reconhecidos por um sinal especial.

Sebastião José de Carvalho e Mello, o Marquês, não se fez de rogado. Apanhou três chapéus amarelos dos que usavam os judeus em Roma e explicou: um era para ele mesmo, o segundo para o inquisidor e o terceiro para o rei, porque nenhum deles, afirmou Pombal, podia estar certo de que nas suas veias não corria o sangue dos Marranos.

A Dra. Anita Waingort Novisky, que escreveu um livro sobre o tema, registra que- do Amazonas ao Rio Grande do Sul- há brasileiros que se consideram descendentes de cristãos-novos portugueses, ou pelo nome ou por adotarem hábitos e costumes cotidianos judaicos, sem saberem exatamente porque.Há muitos registros curiosos, mesmo no esporte: têm sangue judeu, Patrícia Filler Amorim, campeã de natação e presidente do Flamengo; Léo Feldman, juiz da FIFA; Artur Friedenreich, El Tigre, o grande astro do futebol; e Carlos Nuzman,campeão de vôlei, por exemplo. Mas constituem uma infinidade em todas as atividades

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