Ferindo a ordem

Manoel Hygino / 21/05/2020 - 06h00

Aparentemente, o chefe da nação carece de especial defesa, a julgar quantas áreas se obrigam a esse mister. Em âmbito formal, oficial, há o segmento que zela pelo presidente e seus familiares, comandado pelo general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete Institucional. É cidadão próximo a Bolsonaro, dão-se bem, convivem.

Mas, no imbróglio da substituição do diretor da Polícia Federal, que gerou o entrevero jurídico-político que se desenrola, ouviu-se que o presidente desejava pessoa mais afinada com ele, também visando coleta rica de informações e mais segurança para seus familiares e amigos. Tudo tem sido esmiuçado nos mínimos detalhes, até pela imprensa. Não é só isso que existe, contudo. As sucessivas manifestações na capital federal, mas também em São Paulo e Belo Horizonte, em que se discursa contra o Legislativo e o Judiciário, fazem pensar. Afinal, o que pretende aquela gente? Quem a sustenta? Quem paga sua locomoção e ação nos estados? Por que insistem em se reunir diante de instalações do Exército, inclusive uma em frente ao Quartel General em Brasília?

Em São Paulo, assoberbado por sua posição como maior centro de infecções e óbitos pela Covid-19, cerca de 15 indivíduos fizeram manifestação à frente do apartamento em que reside o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Protestavam contra a anulação da nomeação de Alexandre Ramagem para direção da Polícia Federal.

A reação veio através do Ministério Público de São Paulo, que denunciou dois manifestantes – Jurandir Alencar e o engenheiro Antônio Carlos Bronzeri, da Frente Brasileira Conservadora, por difamação, injúria, perturbação do sossego e ameaça à “vítima no local”. O juiz Márcio Lúcio Falavigna Sauandag, da 22ª Vara Criminal de São Paulo, aceitou a denúncia do Ministério Público e colocou ambos no banco dos réus.

Por outro lado, o Ministério Público do Distrito Federal ingressou com uma ação civil pública contra os integrantes do movimento 300 do Brasil, pró-Bolsonaro, que vem atuando em Brasília há um mês.

A ação, assinada pelos promotores Flávio Augusto Milhomem e Nísio Tostes Ribeiro Filho, pede o fim do acampamento do grupo na capital federal, a busca e apreensão e também a revista pessoal em seus integrantes, para encontrar armas de fogo em situação irregular ou cujos donos não possuam autorização legal. A líder do movimento, Sara Winter, ex-feminista convertida ao conservadorismo, reconheceu que alguns integrantes do 300 do Brasil possuíam armas de fogo. Sara, no entanto, ressaltou que as armas eram usadas apenas para a defesa dos próprios membros do acampamento, e não nas atividades de militância.

Os promotores descrevem o grupo como milícia armada e firmam que sua presença na capital federal “representa inequívoco dano à ordem e segurança públicas”. A ação também coloca Sara Winter na posição de ré.

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