O caso Marielle

Manoel Hygino / 14/03/2019 - 06h00

Escrevo algumas linhas sobre o anúncio dos nomes de duas pessoas, suspeitas do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, na oportunidade do primeiro aniversário da ocorrência, que corresponde também à morte de seu motorista Anderson Gomes. Tudo na fatídica noite de 14 de março de 2018, em pleno centro urbano da segunda maior cidade do país, ex-sede do governo federal. 

Os detalhes servem para enfatizar a gravidade do episódio, considerados o local do acontecimento, situações dos presos envolvidos e a insuficiência de instrumentos e condições para a autoridade elucidá-lo. A família reclama que um ano é tempo demais para as investigações e apresentação de resultados à sociedade. 

Transcorridos doze meses do crime, que logrou repercussão internacional pelas características especiais da principal personagem assassinada, afrodescendente, defensora de minorias estigmatizadas, contrária a interesses de grupos milicianos que agem na periferia do Rio de Janeiro. Estes praticam sistematicamente todo tipo de malfeitos e crimes, e Marielle era alvo preferencial, tornando-se vítima da cilada bem preparada. 

Um ex-policial, exímio atirador, e um investigado pela PF, dela expulso há oito anos, foram apontados pela dupla execução. No entanto, o delito não está inteiramente esclarecido, pois muito mais renderão as investigações que se fazem. A tal ponto que o próprio presidente da República declarou: “espero que realmente a apuração tenha chegado de fato a eles, se é que foram eles os executores”. Eis a questão. 

Não se há de julgar longo o prazo para chegar ao primeiro passo do tumultuado caso. Na verdade, quantos crimes contra a vida permanecem sem conclusão? Seus autores estão soltos em todas as capitais brasileiras e nas cidades. A questão é muito mais grave do que se supõe e está longe de soluções claras e definitivas. 

Além dos fatos referidos, há de evocar-se o relativo ao atentado contra o presidente Bolsonaro, em plena campanha eleitoral, em rua central de Juiz de Fora, no dia 6 de setembro de 2018. Não fora a competência dos médicos da Santa Casa e a presteza e eficiência das equipes que assistiram Bolsonaro, este teria perdido a vida e outra seria a história do Brasil, como se assistiu eloquentemente pela televisão e pela descrição de toda a mídia. Mas, o próprio chefe da nação pede esclarecimentos suficientes sobre o gravíssimo incidente. Até quando se suportará esta sequência incontida de crimes na área da segurança?

Não se poderá esquecer que, ontem mesmo, na dinâmica cidade de Suzano (SP), oito pessoas (até adolescentes) foram assassinadas por dois rapazes, um dos quais menor. A que leva essa plêiade de jovens (não me refiro ao episódio de Marielle) a pôr fim à vida e ao futuro das pessoas, como gado bovino em matadouro? 

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