O Uruguai é ali

Manoel Hygino / 06/09/2019 - 06h00

O Ministério de Relações Exteriores do Uruguai divulgou que a procura dos brasileiros pelo país como novo lar cresceu 38%, entre 2016 e 2018, e se acelerou ainda mais em 2019. Entre janeiro e julho deste ano, o Uruguai emitiu 1.591 vistos de residência fixa para brasileiros. O número de documentos concedidos no período já representa 94% do total de 2018 – quando foram emitidos 1.686 vistos.
A facilidade no processo legal de migração também contou a favor. Há casos em que os vistos de residência foram solicitados ainda no Brasil, em 2018, e emitidos quando a família já morava no Uruguai.
A maior parte dos brasileiros que migra para o Uruguai se estabelece na capital, Montevidéu. Quem se muda diz que gosta da liberdade e do modo de vida uruguaio. O Uruguai é excelente proposta. Sua população equivale aproximadamente à de Belo Horizonte, anda pelos 4 milhões de habitantes. São cidadãos altivos, conscientes de sua responsabilidade e de seus direitos. Leis existem para serem cumpridas, tanto quanto as placas orientadoras do trânsito urbano, por exemplo, que têm de ser obedecidas. Nas praças, se há a placa proibindo pisar na grama, a orientação é observada religiosamente.
As pessoas, ao passarem umas pelas outras, saúdam: “bom dia, boa tarde, boa noite”, evidentemente, em espanhol. “Gracias” é uma palavra rotineira em todos os lugares e momentos. A boa educação é amplamente cultivada, “permiso?”. Ser amável está no cotidiano, até nos estádios esportivos, e a despeito da “incha”.
Há o que se ver ou se assistir em Montevidéu. Desde as pitorescas ruas de La Ciudad Vieja, junto ao porto, ou o museu do Cerro no alto, um pouco distanciado do centro urbano, mas de onde se divisa esplendidamente a metrópole. Teatros, há muitos e bons e com peças de sucesso. Os hotéis podem ser escolhidos à vontade, e há ótimos.
Pocitos é uma atração de Montevidéu, uma Copacabana. Quem tiver disposição de fazer um excursão pelo rio de La Plata, desde que tenha plata, perdoem-me o péssimo trocadilho, muito apreciaram ir à Argentina, quem sabe?
A principal via pública – a avenida 18 de Julio – é uma passarela para todos os gostos, emoldurada com lindas praças bem cuidadas e monumentos que mais embelezam a capital. Numa delas, o grande monumento a Artigas, o herói nacional, em cujo subsolo está depositado seu corpo, guardado dia e noite pelas Forças Armadas.
Na mesma praça, um cartão de visitas – o maior hotel da cidade e o palacete Salvo, com singulares linhas, e bem próximo, o mercado, em cujo primeiro piso, ao nível da rua, pode-se deleitar com a melhor culinária, o público atendido por mozos devidamente uniformizados e falando além do espanhol.
Para quem gosta de mar, lá estão, entre outras, a playa de Pocitos, no elegante bairro, ou a Ramirez, junto à qual se localiza o Cassino em que Obdulio Varela, campeão nacional de futebol, foi croupier. Se quiser sossego, há belíssimos parques, como o Rodó, cujo nome homenageia um celebrado escritor. Nos bancos sob árvores frondosas, pode-se ler o melhor da literatura – nacional ou mundial. Já vou arrumar as malas, até porque não há necessidade de passaporte.

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