Perdas inestimáveis

Manoel Hygino / 21/07/2021 - 06h00

Faz parte, mas nos entristece. Na segunda-feira, 12 de julho, dia de São João Gualberto, a Academia Mineira de Letras perdeu dois de seus ilustres sócios. Faleceram o acadêmico Paulo Tarso Flecha de Lima, ocupante da cadeira 13, e Carmen Schneider Guimarães, da cadeira número 5, cujos velórios e sepultamento só foram presenciados pelos familiares, em face da situação causada pela pandemia.

Paulo Tarso morreu, aos 88 anos em Brasília, onde se internara com problemas renais que lhe causaram septicemia. Meu contemporâneo de ginásio, foi embaixador do Brasil em Londres, Washington e Roma, com atuação brilhante. Viúvo de Lúcia Flecha de Lima, de outra importante família mineira, eles formaram um casal elegante e atuante no Ministério das Relações Exteriores, marcando presença em todos os acontecimentos em que era necessária sua presença e participação.

Os jornais não deram maior realce ao infausto evento, mas o Itamaraty soltou uma nota: “Ao longo de sua carreira, o Embaixador Paulo Tarso dedicou-se ao ideal de que a política externa pode e deve contribuir para melhorar concretamente a inserção internacional do País e a vida de todos os brasileiros. Sua coragem e criatividade marcaram todos que tiveram a oportunidade de trabalhar a seu lado”.

Carmen, admiradora entusiasta de Guimarães Rosa, era capixaba, e seu esposo tinha vínculos de família com o escritor de Cordisburgo. Dela, disse o presidente da AML, Rogério Faria Tavares: “Carmen Schneider Guimarães foi uma intelectual pioneira, corajosa, que abriu muitos caminhos para as mulheres. Durante décadas, em incansável trabalho na imprensa, divulgou as melhores expressões da nossa Literatura. Seus livros também dão importante testemunho da qualidade de sua produção. Sua partida abre imensa lacuna. Carmen fará muita falta. Além de escritora talentosa, era dona de personalidade afável, cordial, elegante e amiga”.

Sobre Paulo Tarso, também se manifestou: “Foi uma das personalidades mais importantes da diplomacia brasileira no século vinte. Deixa um legado inestimável de excelência e rigor. Notável pela inteligência, pela cultura e pela sofisticação, já tem seu nome inscrito na história da política externa brasileira”.

Assim é a vida das Academias. Reúne os mais credenciados à apreciação e ao respeito de seus contemporâneos, para depois levá-los ao descanso perene. Triste, mas constitui a realidade irrevogável a que os remanescentes se sentem obrigados a assistir, até que o dia destes também chegue. É da condição humana.

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