Restaurar é preciso

Manoel Hygino / 07/11/2019 - 15h13

Nem todos têm tamanho interesse, zelo e carinho por Minas Gerais como Eugênio Ferraz, cavalheiro da melhor cepa, nascido em São Lourenço, lá no Sul do Estado. É o que se poderá sentir no dia 8, nesta sexta-feira, quando precedido de palestra – seu passado, suas histórias – ele lançará os dois primeiros volumes da trilogia “Restaurações singulares no Brasil e outras experiências acerca do Patrimônio Nacional”.

Muito a propósito: a reunião será na Academia Mineira de Letras que, em 2019, completa 110 anos de fundação em Juiz de Fora – depois, transferida para Belo Horizonte. Enfim, o objetivo era concentrar na capital projetada por Aarão Reis a gestão dos interesses da arte literária e propagá-la em todo o país. Não tem sido pouco o esforço, muito sacrifício se exigiu, pela falta de recursos do erário e dos segmentos sociais que poderiam amparar-lhe a trajetória. 

Pois Eugênio Ferraz foi um dos aliados da AML, coadjuvando nas edições da revista do sodalício, enquanto diretor da Imprensa Oficial, que deixou de existir em 2017. Um atentado às nossas melhores tradições e à própria história. 

No entanto, nem tudo morreu. E a prova está na própria reunião da sexta, em que se ouvirá Ferraz, em sua exposição sobre o que logrou construir durante largo tempo como engenheiro responsável por valiosas obras de restauração em todo o país, conhecendo enfim os dois primeiros volumes da obra que elaborou. É resultado de pesquisas do mais alto significado para uma nação que ainda não soube oferecer o necessário apreço a um legado insubstituível. 

A edição que acaba de se liberar com distribuição nacional, isto é, os Volumes I e II – Restaurações Singulares no Brasil e Outras Experiências Acerca do Patrimônio Nacional – já foram distribuídos a bibliotecas e estão disponíveis para o público. O volume I tem apresentações do promotor de Justiça e escritor Marcos Paulo de Souza Miranda e do atual desembargador e escritor Bruno Terra Dias. O Volume II traz as apresentações do jornalista e acadêmico Manoel Hygino dos Santos e do desembargador, também acadêmico, Doorgal Andrada. Todos são unânimes em destacar a importância das obras de Eugênio Ferraz para o resgate e a preservação da história e da cultura das Minas Gerais e do Brasil.

O primeiro volume da trilogia mostra as restaurações de importantes monumentos brasileiros, exemplos de manutenções – ou o resultado de suas ausências – e outros artigos abordando o patrimônio histórico, meio ambiente, história e preservação hidromineral. Nele há ainda um breve resumo de algumas restaurações citadas no projeto e, em especial destaque, a restauração do Convento dos Mercedários de Belém do Pará, monumento histórico completamente destruído por incêndio, e o teatro Amazonas, em Manaus.

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