Sobre as torres gêmeas

Manoel Hygino / 05/09/2019 - 16h18

Setembro aí está, nem só com boas perspectivas e lembranças. Embora o pouco tempo decorrido, embora tantos bons e maus episódios, registrados no decurso da história, ninguém esquecerá o trágico 11 de setembro de 2001, que – registrado em Nova York – deixou quase 3 mil pessoas mortas após o sequestro de quatro aviões, lançados contra um dos conjuntos representativos da imagem que se tinha da cidade.

Duas aeronaves – a palavra soa bonito – causaram a queda das torres gêmeas do World Trade Center, enquanto um outro avião atingiu uma ala do Pentágono, em Washington, e o último caiu em um campo na Pensilvânia. Um projeto muito bem arquitetado e perpetuado.

Demorou, como se havia de convir, mas o juiz responsável pelo caso, coronel Shane Cohen, estabeleceu a data para início da seleção do júri militar encarregado de julgar os cinco que podem ser condenados à pena de morte. A data aparece em um relatório de cerca de dez páginas.
Passados 18 anos do atentado, o palco central do trágico acontecimento passou a ser uma espécie de ponto de atração turística na ilha. Mas o povo americano não perdeu a memória do que ele foi e do que representa.

O julgamento conjunto, que pode ser realizado em alguns meses, será feito na base naval de Guantánamo, onde o governo americano organizou comissões militares especiais para julgar suspeitos de terrorismo.

Mohammed foi o foco de debates há anos sobre o destino legal dos acusados. Após sua captura, anos atrás, ele foi submetido a um duro interrogatório e passou por “water boarding”, técnica de simulação de afogamento usada como tortura.

Grupos de direitos humanos criticaram os tribunais de Guantánamo e reafirmaram que todos os acusados de planejar atos terroristas devem ser julgados em um tribunal federal por juízes e júris civis.

Para quem quer saber mais, aconselha-se a leitura do livro “Diário de Guantánamo”, em que Mahvish Rukhsana Khan, advogada americana, nascida no estado de Michigan, relata o que apurou durante suas visitas à ilha, onde está Guantánamo, para colher dados sobre a situação dos prisioneiros. São depoimentos muito importantes os que colheu.

Com tradução à língua portuguesa e edição da Larousse do Brasil, registra-se que, nas mais de trinta viagens a Guantánamo, Mahvish entrou em contato com os homens tidos como “os piores dos piores”. Aqueles prisioneiros se tornaram seus amigos, alguns lhe oferecendo conselhos paternais, assim como um percepção pessoal única da sua luta e da família de cada um, a milhares de quilômetros de distância.

À medida que o tempo decorria, ela começou a se perguntar se Guantánamo realmente guardava os inimigos mais perigosos dos Estados Unidos.
Independentemente da inocência ou culpa dos prisioneiros, ela estava determinada a preservar o direito mais fundamental deles: um julgamento justo. Os considerados mais perigosos se sentarão no banco dos réus, lá mesmo na ilha, nos próximos dias. Será algo que emocionará o mundo, sem dúvida.

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