Somos da América

Manoel Hygino / 24/11/2021 - 06h00

Os fatos a que assistimos na cena política do país parecem algo da mais completa raridade, se comparados com situações semelhantes em outras nações... civilizadas, é claro. O cidadão, interessado do que ocorre nestes dias em que definições importantes são esperadas, queda acabrunhado com o que ocorre nos altos escalões. E não apenas neles. 

Uma verdadeira miríade de problemas desafiam os responsáveis pela administração pública nos três poderes, mas as propostas que apresentam à consideração nacional são as mais destoantes, por não resolverem as questões apresentadas, que não são poucas. O que ontem se disse não mais é válido hoje. 

Impressiona o cidadão, enquanto interesses pululam entre os gabinetes, com opiniões e múltiplos pareceres, tipo: não digo que sim, nem que não, antes pelo contrário. O que antes valia não mais é válido.

Cito um caso: em plena algaravia para se discutir a votação da PEC dos Precatórios, sai uma decisão de ministro do Superior Tribunal de Justiça sobre o famoso caso das rachadinhas, em que é julgado, já anos somados, o hoje senador Flávio Bolsonaro. Faz tanto tempo que até a testemunha, antes escondida em uma casa de advogado da família presidencial em Atibaia, já foi presa e libertada mais de uma vez. Não é que a justiça seja lenta (o que é também uma verdade), não há interesse em resolver os processos. No caso de Flávio Bolsonaro, integrantes do Ministério Público já regiam contra. 

Ao ler as folhas, fico sabendo da declaração do chefe da nação. “Estamos buscando uma maneira de, da nossa parte, ficar livres da Petrobrás”. Ideia que deve fazer os restos mortais de Vargas reagirem sob o solo pátrio, em São Borja. 

O peruano Mario Vargas Llosa, Nobel de 2010, ajuda a entender o Brasil e a América Latina, como o fez, há poucos dias, em entrevista dada na Espanha, em que vive: “Acredito que a América Latina atravessa uma crise. Esperemos que seja uma revolução positiva, um enriquecimento da democracia, mas o que se vê na região hoje em dia é um retrocesso a formas muito primitivas e que estão desautorizadas pelo fracasso que obtiveram em todos os lugares. Na Europa, temos um fenômeno muito curioso de países como Polônia e Hungria, que escaparam do socialismo e agora vão em direção à extrema direita. Isso também é muito preocupante, porque não é a extrema direita que vai adotar novas soluções. Os países que mais progrediram são as verdadeiras democracias funcionais, que têm participação muito ativa do liberalismo, que, acredito, é o motor da democracia”. 

 

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