A bancada do corte de gastos

Mateus Simões / 11/02/2019 - 07h00

Eu gosto de anunciar que o meu mandato economizou mais de R$ 2 milhões em dois anos, menos pelo valor em si e mais pela pressão que esse fato gera, continuamente, sobre o mandato dos perdulários da Câmara Municipal, que trabalham com mais de 20 assessores, dois carros, motoristas, celulares… tudo financiado pelo pagador de impostos, que trabalha para sustentar a burocracia de plantão.

Em BH, com essa perspectiva firme, caminhei meio sozinho… Ainda que tenha conseguido empurrar, pela inércia, vários vereadores que, somados, acabaram economizando mais de R$ 20 milhões para a Câmara por ano. Se todos tivessem aderido aos meus cortes, a economia seria de R$ 82 milhões apenas com os gabinetes. E não me deixe começar a falar sobre os desperdícios com a estrutura geral da Câmara…

A partir deste ano, contudo, o Brasil foi apresentado a uma nova bancada, a “bancada do corte de gastos”. O Novo elegeu oito deputados federais e 12 estaduais/distritais –e a expectativa é que, somados, eles possam chegar a uma economia geral de quase R$ 100 milhões ao longo do mandato.

Os deputados estaduais do Novo começaram os seus mandatos, em Minas, abrindo mão do indecoroso auxílio-moradia e reduzindo drasticamente as suas equipes. Em Brasília, o compromisso da bancada é de economizar ao menos 50% das verbas disponibilizadas para cada parlamentar e, com isso, vamos mudando a política pelo exemplo.

Não é por outra razão que o primeiro projeto de lei apresentado pela bancada do Novo no Congresso foi exatamente para extinguir o financiamento público de campanhas, acabando com a vergonha de gastarmos mais de R$ 2 bilhões em anos eleitorais e R$ 1 bilhão em anos sem eleição para manter as estruturas partidárias – tirando dinheiro da segurança, da saúde, da educação e infraestrutura.


Podem dizer aos novos eleitos que as propostas deles não vão contar com o apoio dos outros deputados, mas quero ver quem serão os desavisados a defender, publicamente, a manutenção de privilégios que os políticos têm às custas de todas as outras pessoas.

O Brasil já conhece as bancadas cristã, do agronegócio, da bala… Agora, felizmente, vai passar a conhecer a bancada do corte de gastos, de um Legislativo mais enxuto e responsável com o dinheiro que pertence a todos. Não é tanto uma questão de bandeira, mas muito mais uma questão de postura. Se não é absolutamente necessário, melhor não gastar.


Pode ser que leve tempo até todos os políticos se convencerem de que os tempos mudaram. Mas espero que a próxima eleição brinde os retardatários com as suas aposentadorias definitivas da vida pública.


 

 

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários