A caixa-preta continua fechada

Mateus Simões / 28/01/2019 - 07h00


Em Belo Horizonte, permanece o impasse em relação à BHTrans. O Prefeito inventou uma auditoria que só serviu para aumentar a passagem do transporte público, sem a participação da Câmara Municipal ou da população. Enquanto isso, pressiona para que não haja CPI da BHTrans – “trabalhando” com vereadores da base que haviam assinado o requerimento, a ponto de alguns terem retirado as suas assinaturas… (Aliás, essa coisa esdrúxula da retirada de assinaturas em requerimentos mereceria uma discussão à parte, pois não entendo como um legislador pode assinar e depois pedir para “desassinar” qualquer coisa…)

Quem se elegeu dizendo que não era político cedeu às pressões políticas, ao que parece, em detrimento do que foi prometido à população de Belo Horizonte. Vale até lembrar que o prefeito Kalil chegou a usar o twitter para falar que não tinha de dar satisfação a ninguém sobre o aumento da tarifa de ônibus – sendo que até mesmo quando ele era presidente de clube de futebol já tinha de dar satisfação do que fazia… quanto mais como prefeito…

Eu continuo me batendo, portanto, pela extinção da BHTrans. Se não dá para fiscalizar, não pode existir; se não presta um bom serviço não pode existir; se sofre e cede a interferências políticas e econômicas inconfessáveis, não pode existir. Simples assim: não pode existir.

A proposta de transformar a BHTrans em autarquia, deixando de ser uma empresa pública, é a perda de uma oportunidade fabulosa de acabar com esse braço do governo municipal que não tem um único apoio fora dos seus próprios quadros e dos corredores dos gabinetes políticos. A função pode ser absorvida pela própria prefeitura e, pelo menos assim, o acompanhamento direto ficaria mais fácil e a estrutura mais barata. Os funcionários concursados podem ser absorvidos pela prefeitura, a fiscalização pode ser toda feita pela guarda municipal e, por fim, podemos racionalizar a gestão do trânsito e do transporte público sem as constantes dúvidas sobre a seriedade do órgão. 


E, para quem não se lembra, já veio a público até mesmo uma gravação envolvendo BHTrans, Judiciário e Legislativo, comprovando que a empresa é usada politicamente até para atender pedido de alteração de ponto de ônibus em rua… Imaginem para o que efetivamente importa!

É exatamente diante desse tipo de situação que me vejo obrigado a repetir que o Legislativo não pode se comportar como anexo do Executivo, servindo de despachante dos interesses do prefeito. É justamente isso que inviabiliza uma ação altiva e responsável para fiscalizar as irregularidades que, nesse caso, já sabemos que não são poucas.


 

 

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