Assunto encerrado

Mateus Simões / 02/12/2019 - 06h00

Tenho um amigo que, ao ser abordado por qualquer tema que não queria mais discutir e que considerava já estar encerrado, dizia: “Isso é um ex-assunto”.

É assim que encaro o tema Wellington Magalhães, a esta altura, como um ex-assunto.

Em 2019, acabei protagonizando os processos de cassação dos dois únicos vereadores de Belo Horizonte cassados na história: Fui relator do processo de Cláudio Duarte, cassado por prática de “rachadinha”; e, apenas quatro meses depois, fui o denunciante de Wellington Magalhães, cassado por diferentes causas, entre elas, recebimento de propina para fraudar licitações da Câmara. Não tenho nenhuma alegria em ver vereadores perderem os seus mandatos, mas tenho orgulho de fazer parte de uma Câmara que teve coragem de enfrentar o corporativismo e expulsar do ambiente político aqueles que não demonstram a dignidade necessária para o exercício de seus cargos.

Durante quatro meses, desde a apresentação da denúncia até a cassação de Magalhães em Plenário, fui, diversas vezes, submetido a intimidações e ameaças, culminando na decisão da polícia de me manter escoltado, dada a gravidade da situação. Mas nunca pensei em desistir. Fui, em alguns momentos, tomado por tristeza, ao perceber o que tínhamos permitido que se apoderasse da política, mas acabei sempre canalizando esse sentimento na direção de mais força. 

Retroceder não é uma opção.

Espero que a Câmara possa, agora, retomar a pauta dos temas que interessam para a cidade. Dentre eles, a revisão do Código de Posturas, que está em discussão, mesmo contra a vontade da prefeitura, que parece satisfeita com a situação da cidade, onde nada é permitido a quem trabalha e produz, com o mais complexo sistema de licenciamento de que se tem notícia; mas em que tudo é possível a quem simplesmente invade o espaço público e ignora a lei, com o aumento brusco de pessoas morando na rua, sem que a prefeitura tome qualquer providência.

O ambiente para resgate da dignidade política de Belo Horizonte está aberto. Esperamos que seja esse o novo tema das discussões da Câmara no ano que resta deste mandato.

 

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