BH pode dar o exemplo que o Rio não deu

Mateus Simões / 28/10/2019 - 06h00

Com mais de 60 dias, desde que foi iniciado o processo de cassação de Wellington Magalhães, os documentos foram apresentados, as testemunhas foram ouvidas e o processo está pronto para ser concluído. Isso tudo para que a votação da cassação em Plenário ocorra até 23 de novembro, data limite para que o caso seja analisado.

A Câmara Municipal terá a oportunidade de fazer o contrário do que fez o Rio, na última semana, quando usou da autorização recentemente dada às Assembleias Legislativas pelo STF para mandar soltar os deputados que estavam presos. Um triste exemplo para o país, em que os políticos devolveram para as ruas criminosos que a Justiça havia mandado para a prisão.

Por aqui, a Câmara terá a oportunidade de retirar da vida pública um sujeito que circula com tornozeleira eletrônica por ordem judicial e que continua votando nas sessões plenárias e atuando na vida política de Belo Horizonte. É nossa chance de dar o exemplo que o Rio não deu: dizer não ao corporativismo doentio e sim à moralidade no trato público.

Apesar de ainda não termos o parecer final da Comissão Processante, nas últimas semanas os fatos foram definitivos na caracterização dos ilícitos praticados por Wellington Magalhães.

O inteiro teor da delação premiada feita pelo dono da Agência Santo de Casa confirma que Magalhães não apenas manipulou a licitação de publicidade da Câmara, mas recebeu várias remessas de dinheiro em mochilas entregues diretamente em seu gabinete, a mando do proprietário da agência que venceu a licitação.

Por sua vez, os depoimentos do advogado Mariel Marra e dos vereadores Gabriel Azevedo e Henrique Braga foram definitivos na caracterização das ameaças feitas por Magalhães, usando uma rede de capangas que circulam na Câmara intimidando quem atravessa o caminho do denunciado.

As delegadas Andrea Vacchiano e Rafaela Gigliotti confirmaram que o poder de Magalhães permeia a Polícia Civil e que ele usou sua influência durante o governo Fernando Pimentel para se proteger da polícia e nomear cúmplices para posições relevantes.

Tudo isso, somado ao fato de que ele não tem a confiança da Justiça sequer para circular sem monitoramento eletrônico, é mais que suficiente para que ele seja cassado. Em poucos dias, veremos como BH se comporta diante dos fatos, mas eu acredito que os vereadores darão o exemplo que o Rio de Janeiro não deu.

 

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários