Criminosos e culpados

Mateus Simões / 28/09/2020 - 06h00

A morte do candidato a Vereador Cássio Remis, por um adversário político, na cidade mineira de Patrocínio, no meio da rua, com cinco tiros, choca e, ao mesmo tempo, mostra a necessidade de algumas imediatas reflexões:

Continuamos convivendo com criminosos em cargos públicos. São pessoas que não valorizam a vida do outro, no momento de pressão, matam e revelam quem efetivamente são. Quem mata em fila de hospital, por desvio de recurso, já perdeu o apreço pela vida do outro. Pessoas sem capacidade de empatia e que acreditam estarem em posição de poder sobre todas as outras pessoas, quando assumem um cargo público, agindo como se os demais devessem se submeter a ele e, mais que isso, sem qualquer preocupação com os parâmetros de conduta esperados de uma pessoa comum, por um motivo simples: eles não se julgam comuns, acima de críticas e da lei.

A realidade só vai mudar se as pessoas do bem - as que não estão dispostas a matar e destruir por poder - se colocarem no processo político. Os criminosos continuam na vida pública porque há espaço para eles. A estrutura política e social brasileira faz com que eles acreditem que não serão responsabilizados jamais e isso os incentiva a atrocidades maiores. É preciso que esse estado de coisas tenha fim de uma vez por todas. Não é possível que sejamos obrigados a continuar convivendo com isso!

Os criminosos são os primeiros: devem ser conduzidos para a cadeia e mantidos longe da vida pública. Mas culpados somos nós, que em algum momento deixamos de resistir à ocupação dos espaços públicos por essas pessoas. Precisamos mudar isso!

Eu fui ameaçado de morte por um corrupto que consegui cassar na Câmara Municipal de Belo Horizonte, no ano passado. Senti pessoalmente o que é conviver com criminosos na política. Gente sem escrúpulos e sem limites. Minha solidariedade à família de Cassio Remis, a seus amigos e eleitores. Ele morreu denunciando os desmandos e malfeitos. Nunca se esqueçam disso e não permitam que os outros esqueçam!

 

 

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