Dinheiro pela janela

Mateus Simões / 12/10/2020 - 06h00

É mais fácil jogar dinheiro pela janela quando ele não é seu... Essa é a única explicação para que, no Brasil, os políticos estejam gastando R$ 3 bilhões de recursos públicos para financiar as suas campanhas, entre fundo eleitoral e fundo partidário, os dois monstros criados e nutridos pelo Congresso Nacional para garantir a manutenção do poder na mão dos mesmos, sempre.

Isso para não falar do Horário Eleitoral Gratuito, que é gratuito apenas para os partidos políticos, pois custa R$ 500 milhões para os cofres públicos, já que as emissoras são compensadas com renúncia tributária.

Ao se questionar um dos políticos “gastões”, a resposta é sempre a mesma: “é o preço da democracia!”

Desculpem a sinceridade, mas isso não é verdade, esse é o preço do patrimonialismo fisiológico dos políticos. Esse é o custo de um sistema perverso que mantém os mesmos no poder e financia, com o dinheiro da vítima, o próximo assalto. Nada mais perverso do que isso...

Ao transferir para os cofres públicos as despesas eleitorais, distribuindo os recursos com base no tamanho das bancadas, o que se estabelece é um mecanismo perverso de incentivo contínuo a que esse número cresça ano após ano. Não é por outra razão que da última eleição municipal para cá o valor tenha mais do que dobrado.

Enquanto isso, falta saúde, segurança, educação e infraestrutura básica em quase toda parte... É isso aí, num país em que metade das pessoas não têm acesso a coleta de esgoto, os partidos dividem, tranquilamente, o que seria suficiente para resolver duas vezes os problemas de saneamento de Minas Gerais.

Usar dinheiro público para financiar o processo eleitoral é um mecanismo perverso de captura de recursos dos mais pobres, exatamente aqueles que mais precisam dos serviços públicos que são relegados a segundo plano na divisão do bolo orçamentário.

O único partido que não usa dinheiro público, apesar de receber os repasses, é o Novo. Eu tenho motivo para me orgulhar disso, mas preferiria que isso não fosse um diferencial...

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