Errar é humano; repetir erros é...

Mateus Simões / 09/11/2020 - 06h00

Há cinco anos – completados no fim da última semana –, a tragédia de Mariana revelava um problema enorme e adormecido: as barragens a montante representam um risco para o meio ambiente e para a população, mesmo para os que vivem a centenas de quilômetros dessas estruturas... basta ver que os danos passaram por Governador Valadares, pelo Espírito Santo e terminaram no mar...

Na busca de uma solução para os danos causados naquela ocasião, foi realizado um acordo judicial com a Samarco, resultando na criação da Fundação Renova, com o compromisso de aplicação de pouco mais de R$ 4 bilhões na recuperação das áreas atingidas. Infelizmente essa recuperação não foi ainda percebida pelos antigos moradores de Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo, Gesteira e demais áreas, que continuam sofrendo. Um modelo complexo e burocrático atrasa e dificulta os avanços.

Nos últimos meses a Justiça Federal tem conseguido alguns avanços, no âmbito do acordo, como a compra de mais de 1.000 respiradores e a liberação dos recursos para a conclusão da obra do Hospital Regional de Valadares. Mas pouco se avançou para além disso. É muito claro, olhando para trás, que erros foram cometidos na condução do acordo e das medidas de reparação e prevenção. 

Três anos depois do que aconteceu em Mariana, logo nos primeiros dias de mandato do governador Romeu Zema, outro desastre arrasava Minas Gerais – desta vez em uma barragem da Vale, em Brumadinho. Imediatamente veio a percepção de que os mesmos erros de condução não poderiam ser cometidos.
Com rapidez, logo após a tragédia, a Assembleia Legislativa aprovou uma lei de barragens, que busca garantir mais segurança com o descomissionamento dessas estruturas, tendo sido seguida inclusive pelo Governo Federal.

Por sua vez, o Governo do Estado, o Ministério Público e a Defensoria estão tentando evitar outro erro: a falta de uma solução de reparação efetiva pelos danos. É por isso que no próximo dia 17 de novembro, todos os envolvidos se reunirão em audiência judicial para buscar um acordo mais amplo e efetivo do que o realizado em Mariana, sem as burocracias e complexidades do que fizeram no passado. Não podemos voltar a cometer os mesmos erros.

 

 

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