Gastar mais ou gastar bem?

Mateus Simões / 17/08/2020 - 08h29

Desde os meus tempos de menino eu ouço dizer que, nos governos, os órgãos correm para gastar tudo o que recebem, por medo de, no ano seguinte, suas verbas orçamentárias serem reduzidas. Ou seja: os gestores preferem gastar mal e muito a gastar bem e, no ano seguinte, continuam com o trabalho de fazer perpetuar este péssimo hábito. Não é por outro motivo que a máquina pública brasileira é das mais caras e menos eficientes de todo o mundo...

Na última semana, tive a prova pública de que, por absurdo que pareça, muitas pessoas efetivamente pensam assim: o governo tem de gastar mais e não gastar melhor. Foi a conclusão que li em alguns lugares diante da notícia de que o estado de Minas Gerais tinha gastado menos com a pandemia.

É que foi publicada a informação de que Minas havia desembolsado, proporcionalmente, menos dinheiro do que os outros estados da federação no combate à pandemia. Como Minas mantém os melhores resultados no enfrentamento ao coronavírus entre todos os estados, eu esperava uma reação de celebração pela qualidade do gasto feito aqui, já que a situação financeira gravíssima impediu que mais despesas de saúde fossem liquidadas. Mas o que acabamos vendo, infelizmente, foi o contrário.

Numa comparação simples, se percebe que o segundo estado que menos gastou, o Rio de Janeiro, que está também arrasado financeiramente, ostenta um índice de mortes quase cinco vezes pior do que Minas Gerais. Ou seja: gastaram o mesmo que Minas, também por falta de recursos, mas tiveram um resultado muito pior.

Alguém “brincou”, dizendo que se o Governador Romeu Zema tivesse comprado os respiradores superfaturados de alguns outros estados ele teria ficado mais bem posicionado no ranking... E o pior é que a verdade é mais ou menos essa mesma: ainda há quem acredite que gastar muito é mais importante do que gastar bem.

Vou poupar os leitores das discussões técnicas sobre a diferença entre despesas liquidadas e empenhadas (o estado já contratou mais em saúde e vai cumprir o mínimo constitucional), mas deixo o meu desejo de que Minas Gerais continue gastando menos e gastando bem, demonstrando na prática que gestão é mais importante do que dinheiro no enfrentamento das crises.

 

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