Há luz no fim do túnel

Mateus Simões / 22/02/2021 - 06h00

Por três anos como vereador em Belo Horizonte eu repeti, ano após ano, nessa coluna, no plenário e nas redes sociais, que não me conformava com as enchentes ocorrendo sempre nos mesmos pontos, há um século, sem que intervenções corretivas fossem adotadas. O ano de 2020, que, depois das chuvas, começou dramático para as famílias e para a infraestrutura da capital, reforçou o senso de urgência. 

O momento atual, de pandemia de Covid-19, evidencia que nem todos os problemas que enfrentamos são previsíveis. Há outros, entretanto, que se repetem ano após ano e que precisam ser combatidos com planejamento e respostas eficazes. O volume de chuvas e as consequências drásticas para as pessoas são exemplos claros desta segunda classe de problemas, que podem ser antecipados e devidamente tratados.

Pois na semana passada, o governador Romeu Zema anunciou um investimento de quase R$300 milhões para obras na bacia do Ferrugem e do Riacho das Pedras, em Contagem e Belo Horizonte, com efeitos evidentes sobre a avenida Tereza Cristina – um dos maiores focos de preocupação em Belo Horizonte, no que diz respeito às enchentes.

O registro mais antigo de problemas na região data de 1923, quase 100 anos atrás, com uma enchente que a cada tantos anos se repetia, cada vez de forma mais violenta, sem que medidas efetivas fossem adotadas. Muito esparadrapo, pouca cirurgia.

Agora a cirurgia vai, enfim, sair!

Belo Horizonte e Contagem vão participar desse esforço que é, de fato, estruturante para a região metropolitana, representando segurança para cidadãos e um caminho para a requalificação urbana de uma área historicamente negligenciada, dada a perda constante de estoques, móveis e construções a cada ano.

Essa é a vantagem de olhar para os problemas de forma técnica e sem influência político-eleitoral. Construir com diálogo mesmo quando nem todo mundo quer dialogar.

Muito mais precisa ainda ser feito para que Belo Horizonte deixe de sofrer todos os anos nos mesmos pontos, mas os passos vão sendo dados e a mudança a partir de compromissos com o pensamento de longo prazo tem o poder de mudar a história até no curto prazo.

O momento atual, de pandemia de Covid-19, evidencia que nem todos os problemas que enfrentamos são previsíveis.

 

 

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