Minas consciente

Mateus Simões / 27/04/2020 - 06h00

Logo na chegada da crise do coronavírus ao Brasil, usei esse espaço para falar da importância de não se contrapor o cuidado com a saúde ao cuidado com a economia. Depois de um mês e meio, continuo achando o mesmo: as decisões dos governos não podem deixar ninguém para trás.

A realidade tem sido dura. Para quem perdeu um ente querido ou amigo; para quem cuida de seus doentes ou tem de estar distante daqueles que ama. Para quem perdeu o emprego ou viu o seu ganha-pão inviabilizado da noite para o dia. Para quem, mesmo com as dificuldades, tem de trabalhar presencialmente e mesmo para quem está sendo obrigado a trabalhar de casa. Sobretudo, para todos, é angustiante viver essa situação.

Nesse contexto, e principalmente levando em conta o estrangulamento econômico que parte considerável da população tem vivido, muitos municípios, por todo o Brasil, têm retomado as atividades. Diante dessa realidade, o governador Romeu Zema, aqui em Minas, tomou a decisão de coordenar um trabalho junto às Secretarias de Saúde e de Desenvolvimento Econômico para buscar um caminho mais seguro para essa retomada da economia.

O projeto separa as atividades em quatro “ondas”, sendo que a onda zero representa os serviços essenciais, hoje já abertos ao público. De forma progressiva e consciente, observada a capacidade dos hospitais e a propagação da doença, o município que aderir toma a decisão de liberação das atividades, conforme sejam de baixo, médio e alto risco (ondas um, dois e três, respectivamente).

Ao mesmo tempo, o governo estabelece os imprescindíveis protocolos sanitários de funcionamento, que passam desde um geral, aplicável a todas as pessoas, até os específicos, de acordo com as particularidades de cada tipo de atividade econômica – sempre estabelecendo protocolos individuais para empresários, trabalhadores e consumidores. Em resumo: regras claras para continuar retardando a propagação do vírus.

Não dá para dizer que o problema está resolvido – que o coronavírus não é mais uma ameaça à saúde de todos nós ou que não passaremos por problemas econômicos muito graves. Ignorar a realidade que se impõe, no entanto, nunca é uma escolha para quem tem o compromisso de não deixar ninguém para trás.

Nesse sentido, o nome do programa não poderia ser mais adequado: “Minas Consciente – Retomando a economia do jeito certo”. Fazer do jeito certo é não contrapor saúde e economia. Fazer do jeito certo é ignorar o “achismo” e, com consciência, entender que o caminho para vencer o coronavírus demanda muito estudo, planejamento e constante monitoramento.

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