O monopólio das cartas

Mateus Simões / 17/05/2021 - 06h00

 

De saída, um registro: nenhum monopólio se mostrará benéfico aos usuários. Pior, o Brasil demonstra, ano a ano, que é possível ter prejuízo até em um negócio em que a concorrência é proibida por lei – basta colocar na mão do Governo a administração.

Na última semana foi aprovado o relatório do deputado federal Alexis Fonteyne (Novo/SP), a partir do qual damos mais um importante passo na direção de extinguir um dos mais absurdos monopólios do sistema brasileiro, o dos Correios. A proposta avança não apenas na direção de acabar com a inexplicável proibição a outras empresas na prestação de serviços postais, mas também em transformar a empresa em uma sociedade de economia mista, saindo da sombra do comando político para finalmente ingressar num ambiente de compromisso com resultados, transparência e eficiência, conceitos historicamente ignorados por quem foi escolhido para comandar a estatal (ou alguém se esquece de que a CPI que inaugurou a discussão do Mensalão foi exatamente a dos Correios?).

O brasileiro, que já se acostumou com a abertura do mercado de encomendas, com a proliferação das vendas por internet, muitas vezes esquece que a entrega das correspondências continua sendo feita apenas pela gigante estatal federal, sem que haja nenhuma explicação racional para isso.

Para quem possa achar que os Correios são essenciais para a segurança nacional (acreditem, há quem defenda isso...), vale chamar atenção para o exemplo do Deutsche Post (correio alemão), que desde 1990 vem passando por um processo de desestatização bem aos moldes desse agora proposto no relatório do deputado do Novo.

Lá, eles começaram por dividir a empresa pelos seus vários ramos de atuação, para capturar melhor as eficiências. O braço privado do antigo correio público alemão acabou depois comprando a DHL, tornando-se uma das maiores e melhores empresas de logística do mundo. Quem perdeu com isso? Ninguém. São um dos melhores serviços de entrega do mundo, com sede na Alemanha e atuação global, sem o convívio com as ineficiências do modelo estatal.

Ao final, o processo vai representar não apenas o fim da corrupção e dos prejuízos bilionários que os Correios geram ano a ano, mais vai também significar melhores serviços para os usuários. Só quem perde com isso são os velhos esquemas de cargos e negociatas. Vamos torcer para que o processo se conclua rapidamente.

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