Pichações e a degradação do espaço público

Mateus Simões / 15/04/2019 - 06h00

Há quem defenda que pichação é parte da vida da cidade: para mim é um dos sinais de sua morte.

De saída, para não corrermos risco de mal entendido, pichação é crime, tipificado na legislação penal e que deveria submeter o infrator a pena de até três anos de detenção. Não há espaço para discussão sobre o “direito de pichar” - ele não existe.

Essa é uma ressalva importante porque, atualmente, sempre há quem venha defender um comportamento lesivo à vida em sociedade como se estivéssemos diante de um direito: defendem que o flanelinha tem direito de vigiar os carros e cobrar por isso, que o camelô tem direito de vender seus produtos, que os dependentes de crack têm direito de ocupar as cracolândias… um sem fim de “direitos” que se instalam sobre o direito de todos, como se a eles fosse permitido mais do que ao restante de nós, que temos de cumprir as regras postas.

Dito isso, quero chamar a atenção para a situação que vem se agravando em Belo Horizonte, que assiste à retomada de um hábito que parecia estar desaparecendo. O próprio Hoje em Dia noticiou, na última semana, que a Praça da Liberdade, recém reformada, sofreu dez ataques de pichadores apenas nos primeiros meses deste ano.

A tolerância com essas práticas não apenas representa um prejuízo evidente à população, que tem de pagar pela pintura do que os criminosos estragaram, mas é uma forma de deterioração do ambiente urbano, colaborando para essa imagem cada vez mais forte de uma cidade suja, feia e perigosa.

Já insisti em outros momentos na importância de atentarmos para o fenômeno conhecido como “janelas quebradas”, termo desenvolvido a partir da percepção de que as cidades que toleram pequenos delitos e a degradação de seu ambiente urbano enfrentam índices crescentes de crimes graves, pois a sensação de descuido incentiva o delinquente a ir cada vez mais longe, certo de que as suas ações não terão consequências. Simplificadamente: uma cidade que não consegue sequer manter seus prédios e ruas limpos, certamente não será capaz de reprimir furtos ou roubos.

A deterioração do ambiente urbano atinge a autoestima da população, sua disposição de uso de nossas praças e parques, comprometendo inclusive a atividade econômica dessas áreas, em um perigoso círculo vicioso em que os ambientes seguem se deteriorando em uma espiral que promove o empobrecimento da cidade e a destruição do patrimônio público e privado.

Belo Horizonte precisa voltar a ser administrada como se o espaço público importasse. Precisamos, urgentemente, descobrir como voltar a ser uma cidade pela qual as pessoas se importem, a começar pelas autoridades municipais.

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