Transforma Minas e, quem sabe, o Brasil

Mateus Simões / 29/03/2021 - 06h00

Desde que entrei para a vida pública, eu insisto que o maior problema da Administração Pública é abrir mão de critérios técnicos para apadrinhar amigos e aliados políticos em cargos que são, ao final, decisivos para a implantação das políticas públicas. Por isso repito que a corrupção é o problema que mais nos machuca, mas sem dúvida a incompetência é o que mais nos prejudica. Pior: elas andam de mãos dadas, pois é exatamente no ambiente dúbio das nomeações de apadrinhados que o espaço para o desvio floresce.

Assim que o governador Romeu Zema foi eleito em segundo turno e eu fui nomeado para chefiar a equipe de transição, fui a São Paulo buscar apoio de algumas das mais importantes entidades brasileiras de apoio a políticas públicas disruptivas – e conseguimos colocar de pé um projeto que se transformou em realidade em março de 2019, o Transforma Minas, voltado a profissionalizar o processo de seleção de lideranças para as vagas de livre nomeação do Governo Estadual. Seguindo a esteira da decisão do governador de fazer processo seletivo para a escolha de seus secretários – primeira iniciativa do gênero no Brasil –, a ideia era ampliar e institucionalizar a prática de escolher as lideranças por sua capacidade e não por suas amizades.

Desde então foram mais de 200 processos seletivos abertos, com 189 lideranças selecionadas, para 13 diferentes órgãos. Em paralelo, o programa também contempla mecanismos de acompanhamento e desenvolvimento dos selecionados, de forma a garantir alinhamento estratégico e melhoria contínua na atuação deles.

O sucesso do programa pode ser percebido pelos resultados alcançados pelo governo ao longo desses dois anos, mesmo em meio a todas as dificuldades externas que se impuseram e da falta de recursos dada a situação de falência em que o estado se encontrava no final do último governo. A evidência mais clara, contudo, do sucesso e acerto dessa iniciativa, está na sua ampliação, que já começa a ocorrer: a partir da experiência, o programa foi utilizado para a realização de processo seletivo do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração (Consad), em parceria com o governo estadual do Rio Grande do Sul.

Boas práticas precisam ser replicadas, disseminadas e incorporadas institucionalmente, para que passem a ser “o normal” e não “a exceção”.

 

 

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