Quadro eleitoral de BH pode mudar até o dia 15 de agosto

Orion Teixeira / 06/07/2016 - 06h00

Em condições normais, o dia de ontem sempre foi o último prazo para registro de candidaturas às eleições de outubro. Com as mudanças na legislação eleitoral, encurtando a campanha em 45 dias, as convenções partidárias podem ser feitas até o final deste mês, e o registro dos candidatos, até o dia 15 de agosto. 

Diante da falta de dinheiro, e da proibição de financiamento eleitoral por empresas, o número de pré-candidatos, hoje acima de 10, poderá cair. Na hora do “vamos ver”, ninguém vai querer pagar mico em um projeto que não terá meios de decolar.

Além de evitar o vexame, outro fator poderá mexer com a cabeça de candidatos e de seus padrinhos políticos: o risco de perda do poder. Nesse caso, especificamente, o campo político liderado pelo prefeito Marcio Lacerda (PSB) e o senador Aécio Neves (PSDB) poderá rever o rompimento da aliança e buscar candidatura que os una. Hoje, cada um deles diz que tem um nome próprio: o executivo Paulo Brant, pelo PSB, e o deputado estadual João Leite, pelo PSDB, com Délio Malheiros (vice-prefeito) correndo por fora pelo PSD.

Por isso, a capital dos mineiros vive situação sui generis. A menos de 90 dias das eleições, os belo-horizontinos não conhecem os candidatos muito menos suas propostas. Como disse aqui, no último domingo, pelo quadro atual, o foco estratégico da eleição estará no segundo turno: o candidato finalista que tiver mais poder de agregação terá também maior chance de bater o rival. 

Cemig quer vender Gasmig

Na onda geral de privatizações, como meio de fazer caixa, a Cemig contratou bancos de investimentos para negociar a Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) e pequenas centrais hidrelétricas localizadas em Minas. A companhia não confirma a informação, divulgada na manhã de ontem pela Reuters Brasil e admitida a este colunista por um dos executivos da controladora. 

A Cemig espera conseguir até R$ 2 bilhões com a venda da Gasmig para reduzir sua dívida de R$ 13 bilhões (valores de março passado). Além da Gasmig, que demanda muito capital, a estatal mineira quer vender pequenas usinas que lhe dão prejuízo. 

Por isso, contratou o Itaú BBA para promover a licitação no mercado. Para coordenar a vendas de algumas das 24 pequenas hidrelétricas, em Minas, deu a missão ao Banco do Brasil e ao BTG Pactual. 

Ainda de acordo com a Reuters, a Light, controlada da Cemig, está negociando a venda de 16% na Renova Energia, atraindo o interesse dos chineses.

Não é a primeira vez que a Gasmig volta ao mercado para ser negociada. No final de 2014, o governo anterior, comandado por Alberto Pinto Coelho (PP), havia encaminhado projeto à Assembleia Legislativa pedindo autorização para sua venda. Com a eleição do petista Fernando Pimentel, a Assembleia reprovou a medida. 

Ao contrário, como privatização não combinava com a cartilha petista, o governo fechou as portas à ideia e comprou os 40% controlados pela Petrobras. Na época, o Conselho de Administração da Petrobras aprovou a venda dos 40% das ações por R$ 600 milhões.
Concessionária exclusiva de gás natural canalizado em Minas, a Gasmig é responsável pela distribuição de 4,1 milhões de metros cúbicos/dia por meio de cerca de 850 km de gasodutos.

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