Cidade resiliente

Professor Wendel / 11/05/2020 - 06h00

A palavra resiliente, segundo os Dicionários se refere à capacidade de recuperação após um revés ou de superar situações de crise, adversidade e infortúnio. A partir desta significação, a cidade resiliente é designada como aquela capaz de recuperar e adaptar rapidamente ao enfrentar eventos adversos, sejam eles problemas sociais, desastres naturais, pandemias como o Covid-19 e outros. Essas cidades conseguem vencer de maneira organizada esses desafios, minimizando as perdas humanas bem como evitando que o patrimônio seja destruído. 

Cada vez mais é importante pensarmos em tornar nossas cidades resilientes, pois elas são os locais onde as pessoas vivem, criam suas famílias e executam diversas atividades da vida em sociedade. As cidades de todo o mundo, sejam elas grandes ou pequenas têm desafios comuns, principalmente por problemas oriundos da rápida urbanização, mudanças climáticas e outros. Segundo as Nações Unidas, quatro bilhões de pessoas, mais da metade da população mundial, vivem nos centros urbanos. Até 2050, mais de dois terços da população mundial viverá nas cidades, o que vai gerar uma demanda crescente por moradias acessíveis, sistemas de transporte bem conectados e outras infraestruturas e serviços, geração de empregos e outros.
Pensando em Belo Horizonte, através desde conceito de cidade resiliente, sabemos que temos muitos desafios a vencer. Só nestes cinco primeiros meses de 2020, temos dois exemplos de como ainda estamos distantes de podermos dizer que somos uma cidade resiliente. Em janeiro, as enchentes ceifaram vidas, deixaram um grande rastro de destruição, centenas de famílias desalojadas e desabrigadas. Enchentes como esta já tinham ocorrido em outros anos, mas a cidade não se preparou para solucionar essa questão. Assim, a cada ano este fenômeno natural das chuvas ocasiona mais problemas.

Agora, com a pandemia do Covid-19, ficou escancarado como o sistema de saúde está despreparado. Por isto, as ações de distanciamento social de lockdown para tentar reduzir o ritmo de casos. Como consequência, estabelecimentos do comércio e de outras áreas fechados, a economia decaindo, pessoas com depressão, aumento dos casos de violência doméstica por causa do isolamento. Por isso, os governos locais precisam ir além e pensar não apenas nas obras em si, mas essencialmente no uso que será feito delas e de que maneira elas podem impactar, positivamente ou negativamente, na sociedade ao seu entorno. Realmente é tempo de repensar as cidades e torná-las resilientes.

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