Congado: tradição e cultura

Professor Wendel / 02/12/2019 - 06h00

Recentemente, participei de um encontro de congadeiros e conversamos sobre as demandas desses povos tradicionais. Na oportunidade, disse ao grupo da minha disposição de lutar pela valorização dos congadeiros, que representam uma importante tradição cultural mineira. Assim, como vice-presidente da Comissão de Cultura da Assembleia, apresentei requerimento para a realização de uma audiência pública para debater as políticas públicas destinadas à preservação e à valorização das guardas de congado. A audiência aconteceu em 27 de novembro, com a presença de representantes de várias guardas de Belo Horizonte e do interior. 

O grupo reivindicou mais recursos financeiros para as entidades ligadas a essa manifestação popular e acesso a cursos de capacitação para que os congadeiros estejam aptos a inscrever projetos em editais públicos. A falta de conhecimento da burocracia do financiamento público prejudica o acesso dos congadeiros aos recursos disponíveis para a cultura. A conselheira da

Igualdade Racial de Belo Horizonte, Neli Martins de Souza, disse: “Sabemos que há verba para as manifestações de cultura popular, mas precisamos de treinamento para que os recursos do Fundo Estadual de Cultural cheguem até nós”. 

A subsecretária de Cultura e Turismo do Estado, Rute Assis, afirmou o compromisso do órgão por mais recursos e também por treinamentos. Segundo ela, recentemente, a pasta lançou três editais públicos de reconhecimento e fomento das formas de expressão da cultura popular, que representam um investimento de R$ 2,5 milhões, por meio do fundo, para projetos culturais.

Assim, nossa expectativa é de apoio do governo estadual para essa forma de cultura popular em nosso Estado. Afinal, o Congado tem em Minas sua maior concentração e se tornou referência para todo o Brasil. 

A tradição é transmitida oralmente, sendo repassada de uma geração para outra. Segundo as narrativas históricas, Chico Rei, que na África teria sido o rei do Congo, foi capturado por negreiros com sua família e quase todo o seu povo. Na travessia para o Brasil, morreram sua mulher e quase todos os filhos, restando apenas um. Ao chegar a Ouro Preto, Francisco trabalhou nas minas e conseguiu fazer a economia necessária para comprar sua libertação e a do filho. Adquiriu a mina de Encardideira e, aos poucos, comprou a libertação dos compatriotas.

Os escravos libertos tinham Chico como rei e, então, a corte estava formada e até hoje encanta com sua tradição.

 

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