Ausência de empatia nas relações

Simone Demolinari / 30/07/2015 - 08h03

O conflito entre as pessoas diminuiria consideravelmente se elas fossem praticantes da empatia. Mas, lamentavelmente, esse atributo não está ao alcance de todos.

Empatia é uma competência emocional que possibilita enxergar o outro sob a ótica do outro, sentindo como ele se sente, pensando como ele pensa, se colocando inteiramente em seu lugar e compreendendo suas reais motivações. Para que haja empatia, é preciso sensibilidade aguçada, capacidade de ouvir, inteligência emocional desenvolvida e ausência de egoísmo. É a visão a partir do referencial alheio e não do “EU”, portanto, empatia e egoísmo não coexistem.

É comum uniões amorosas formadas por um empático e o outro não. Neste caso, um tende a ficar sempre reclamando do distanciamento do parceiro se sentindo pouco amado, enquanto o outro não consegue entender o motivo de tanta reclamação.

Quando essa situação ocorre, uma das opções do casal, para dar fim ao conflito, é fazer uma espécie de pacto no qual um tenta ser mais atento às necessidades daquele que reclama, e o outro se convence que lidará melhor com jeito “largadão” do seu par.

Acordo nesses moldes até que são bem intencionados, mas, geralmente, não têm sustentação a longo prazo. Aquele que se sente pouco acolhido não consegue se resignar frente a falta de reciprocidade do outro, caminha com sua emoção sempre à flor da pele, pronto para explodir a qualquer momento, como uma bomba relógio.

Se relacionar com alguém sem empatia, incapaz de ficar feliz com a sua felicidade ou sofrer com seus problemas, significa conviver com alguém que será sempre, em algum grau, indiferente às suas dores. E pior, mesmo que haja um esforço, dificilmente alcançará índices satisfatórios, pois a verdadeira empatia é uma aptidão inata na qual o egoísmo cede gentilmente o lugar ao altruísmo. Portanto, não basta querer, ou tem ou não tem.

Um grande erro de quem convive com pessoas assim é tentar fazê-lo perceber sua limitação afetiva, pois ele dificilmente apresentará uma consciência maior que o permitirá essa autocrítica.

Não podemos deixar de citar aquelas pessoas com grandes dificuldades de manifestar seus sentimentos, ou por timidez, ou por uma rígida educação. Popularmente são chamados de “travados”. Estes, mesmo em silêncio, podem apresentar grande nível de empatia e por vezes sofrem muito por não conseguirem se comunicar melhor. Já aqueles que não a sente de verdade, costumam tentar se passar por alguém acanhado no intuito de justificar sua frieza emocional fruto da falta de empatia. Mas essa diferença não passa despercebida pelo parceiro amoroso, que consegue apreender, uma hora ou outra, quem é um quem é outro.

Se relacionar com quem não estabelece um vínculo emocional empático é dolorido, desgastante e um assassinato da autoestima em câmera lenta.

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