Como explicar o perfeccionismo

Simone Demolinari / 30/04/2020 - 07h00

Perfeccionismo é uma tendência de certas pessoas, geralmente muito talentosas, de buscarem a perfeição em tudo que fazem. Elas exigem tanto de si um resultado tão espetacular, impecável e sem erro, que acabam ficando paralisadas em suas atividades. Travam e adiam ao máximo o que precisam fazer.

Isso ocorre pois não há prazer na execução de uma tarefa, pois o compromisso com a perfeição, atrelado ao pavor de errar, torna toda atividade muito penosa. Não há leveza, só rigor. O clima é sempre de angustia, tensão e ansiedade. 

Geralmente, são indivíduos extremamente rígidos consigo, com um nível de autocrítica elevada e uma alta capacidade punitiva em caso de erro. Toleram mal a frustração pois interpretam o erro como um fracasso ou incompetência. São sofredores constantes. Não relaxam nunca. 

Não raramente, se tornam invejosos daqueles que lidam melhor com a possibilidade de errar. Ficam em constante comparação, pois acabam fazendo da vida do outro uma espécie de termômetro para avaliar seu desempenho. Com isso, costumam, se revoltar quando se deparam com pessoas menos preparadas e menos competentes ocupando lugares melhores que os seus. 

No comportamento perfeccionista algo curioso e antagônico: uma mistura de sentimento de inferioridade e de superioridade ao mesmo tempo. 

Os sentimentos de superioridade são, na maioria das vezes, reais, pois sabem que são muito competentes e que conseguem executar aquela tarefa com excelência. Contudo, o sentimento de inferioridade faz com que ele tema o fracasso e o julgamento dos outros, e isso o torna inseguro. 

Essa situação contraditória acaba estabelecendo um cabo de guerra onde o sentimento de superioridade (competência) pede uma performance perfeita, e o de inferioridade, o acovarda temendo o erro. Resultado: ficam parados, girando em círculos, sem sair do lugar. 

Algumas características comuns aos perfeccionistas:

Revisão da tarefa inúmeras vezes até à exaustão;

Seu comportamento se assemelha ao transtorno obsessivo, onde há uma repetição constante da tarefa como um ritual para atenuar a ansiedade. 

Medo de arriscar por receio de falhar;

Ser muito punitivo consigo;

Centralizar funções e acabar sobrecarregado;

Pouca confiança nas pessoas por acreditar que só eles sabem fazer bem feito;

Dificuldade em trabalhar em equipe e delegar funções;

Dificuldade em iniciar a tarefa. Se sentir perdido e não saber por onde começar; 

Dificuldade para esquecer um erro do passado. Sentir vergonha por algo que já se passou há muito tempo. 

Permanente insatisfação, pois acreditam que sempre poderiam fazer melhor; 

Para sair desse ciclo vicioso é preciso ter coragem para encarar o problema de frente, com disciplina e determinação de estabelecer (e cumprir) o pacto consigo de não ficar revendo a tarefa, entregar a atividade do jeito que está e bancar o resultado que vier. Sempre tendo em mente que o FEITO é melhor que o PERFEITO.

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