Formas comuns de destruir a autoestima

Simone Demolinari / 13/02/2020 - 08h49

Há muitas informações sobre como aumentar a autoestima. Hoje, eu gostaria de falar das formas de destruição dela, pois, para sairmos do fundo do poço, o primeiro passo é parar de cavar. Portanto, se conseguirmos evitar comportamentos autodestrutivos já teremos muitos ganhos. 

Alguns comportamentos prejudiciais:

1) Afastar-se de si próprio: uma boa autoestima ocorre quando nos sentimos satisfeitos com nossas condutas, e quando vivemos de acordo com nosso código interno de valores em todos os cenários da vida: trabalho, família, amigos e amor. Quando nos afastamos de nós para adequarmos ao molde do outro, nos traímos. Disse Shakespeare, em Hamlet: “seja fiel a si mesmo e jamais precisará ser falso com ninguém”. Uma boa autoestima não tem a ver com bens materiais, status ou beleza – isso está relacionado com a vaidade, ou seja, é algo “para fora”. Já a autoestima é “para dentro”, e tem a ver com nossas condutas. 

2) Procrastinação: empurrar as obrigações, deixar tudo para última hora, não terminar o que começou. Viver dessa maneira além de angustiante, é destruidor da autoestima pois demonstra a total falta de domínio sobre si. Quem é procrastinador e desorganizado, no fundo, fica muito insatisfeito com essa conduta, e acaba tendo de si um péssimo juízo de valor. Se sente meio preguiçoso e irresponsável, mesmo que no final a tarefa seja concluída. 

3) Vitimização: convém diferenciar: vítima é aquela cuja fraqueza foi explorada; vitimista é aquela que, para justificar sua infelicidade, estagna no sofrimento e na reclamação. Pessoas de autoestima boa, podem até ser vítimas, contudo, jamais se tornarão vitimistas. Viram o jogo e são mestres em “transformar o limão em limonada”. Assumir o papel de vitimista pode ser vantajoso num primeiro momento, pois comove as pessoas para ajudá-lo, já em termos de autoestima, não contribui em nada, aliás, só piora.

4) Consumismo: a expressão “todo excesso esconde uma falta” tem sua lógica. O consumo exagerado pode revelar uma tentativa de obter prazer para compensar um aspecto da vida que não vai bem. Porém, este prazer é efêmero e logo vem a necessidade de consumir mais. Um buraco sem fundo que só traz frustração e revela o descontrole sobre si mesmo. Uma combinação fatal para autoestima. 

5) Síndrome de bonzinho : uma coisa é querer causar uma boa impressão através de boas condutas. Outra coisa é, por insegurança, assumir o papel de “bonzinho”, ter medo de desagradar, ter dificuldade de falar “não” e passar por cima de si para poupar o outro. Viver dessa maneira é invalidar a própria essência para desempenhar um papel. Algo muito prejudicial. Nada melhor para autoestima do que ser verdadeiro consigo e com o outro.

Pessoas com boa autoestima são serenas e sentem-se satisfeitas consigo. Ao passo que pessoas com autoestima baixa são arrogantes, autoritárias, impositivas e principalmente narcisistas. Se sentir o centro do universo, não significa ter boa autoestima, ao contrário, significa um profundo complexo de inferioridade. 

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