Medos em época de pandemia

Simone Demolinari / 19/03/2020 - 06h00

Estamos atravessando momentos de tensão em função do vírus que acomete o mundo. Jornais não param de noticiar a gravidade da situação e a população, cada vez mais, vai sentindo os impactos. 

Nessa hora, os medos se afloram. Há quem sinta receio mas lida bem com a situação, há  quem fica extremamente preocupado, e também os hipocondríacos que entram em pânico. 

Ao contrario dos que muitos pensam hipocondríaco não é aquele que tem mania de tomar remédios mas sim quem sente um medo ilógico de adoecer hipervigiando a saúde e permanecendo num estado constante de alerta e angustia. 

Quem sofre de hipocondria ou transtorno obsessivo compulsivo envolvendo contaminação ou limpeza,  alimenta pensamentos catastróficos com sensação de mote iminente. Aos olhos dos outros, tudo não passa de um exagero, porém, intimamente, essas pessoas degustam um grande sofrimento. 

Uma característica comum das pessoas com esse tipo de transtorno é acreditar que a pior hipótese é sempre a mais provável: uma simples dor no peito ganha proporção de um infarto; uma tosse tem indício de tumor e assim por diante. No fundo, o hipocondríaco tem mesmo é um terrível medo da morte. Medo este, que, muitas vezes cresce, devido aos interesses da  industria farmacêutica e de divulgação de tragédias pela imprensa. Aliás, outra característica dos hipocondríacos é a identificação. Leem uma matéria e sentem todos os sintomas descritos. 

Quando constatam, através de exames, que estão saudáveis, o sintoma migra e então vem o medo de outra doença. De tão preocupados, abrem quadros graves de ansiedade.  Isso explica o grande número de hipocondríacos e obsessivos com crise de pânico. 

No atual momento, passamos por uma crise que, em época de rede social, ganha ainda mais proporção. Além da pandemia do vírus, estamos enfrentando o medo coletivo. 

Tão importante quanto se prevenir do virus, é se prevenir da ansiedade que pode surgir através de: nervosismo; pensamento catastróficos, necessidade de ouvir constantemente informações, dificuldade de realizar tarefas diárias, dificuldade para controlar a preocupação e perguntas frequentes sobre o estado de saúde de familiares.

A melhor forma de lidar com a situação é se informar através de fontes confiáveis, não alimentar o pensamentos recorrentes de medo e ansiedade; parar de “por lenha na fogueira”; e se ocupar realmente de medidas práticas efetivas e atitudes adaptativas à situação, sempre num clima de calma e otimismo. 
 

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