Quando o ambiente de trabalho adoece

Simone Demolinari / 11/02/2019 - 12h13
Não há como separar: saúde física e psíquica andam de mãos dadas. Não é de hoje que estudos mostram que somos a soma daquilo que pensamos e sentimos. Nossas emoções são capazes de preservar nossa saúde e também interferir no surgimento de doenças graves. 
 
Isso porque a partir do que sentimos descarregamos na corrente sanguínea elementos químicos que fazem com que nosso corpo acione respostas fisiológicas. 
 
As emoções positivas, como gratidão, bondade e amor, estimulam a produção de neurotransmissores responsáveis pelo nosso bem estar, tornando-nos mais felizes, bem humorados e portanto mais tolerantes e pacientes. 
 
Já as emoções negativas, como raiva, medo, rancor e ansiedade, estimulam a produção de cortisol, elemento químico do estresse, que faz com que o corpo entre num estado de alerta, como se estivesse correndo risco de morte ou precisasse lutar ou fugir. Com essa luta que não existe, a química produzida acaba sendo absorvida pelo organismo, passando de remédio para veneno. 
 
As maiores queixas em relação ao estresse são atribuídas ao trabalho. Mas não é a atividade em si que esgota, e sim o ambiente profissional adoecido. As reclamações mais recorrentes são: 
 
- Disputa e competitividade: trabalhar num ambiente hostil, onde não se pode confiar no colega ao lado, é muito desgastante emocionalmente. Alem disso, algumas empresas estimulam a competitividade doentia para tirar proveito disso e acabam criando um clima organizacional tóxico, propício a atritos e rivalidade. 
 
- Cobrança excessiva: algumas empresas não respeitam o horário comercial acordado. Alguns chefes exigem que os funcionários atendam ao telefone ou respondam e-mails à noite, de madrugada e nos finais de semana. Essa exigência, na maioria das vezes, não é dita de forma direta, porém, aquele que tenta resistir a essa cultura costuma ouvir indiretas irônicas, sofrer boicotes ou até ser demitido. 
 
- Chefes tiranos: há chefes que “motivam” suas equipes através de ameaças. Criam um clima de terror sob a justificativa de que assim o funcionário produzirá mais. Só fazem conseguir o contrário.
 
- Acúmulo de funções: algumas empresas atribuem ao funcionário um número de tarefas quase impossível de serem executadas dentro do horário estabelecido. Com isso, o funcionário sacrifica lazer, família e relaxamento. Submete o corpo e a mente a um constante estado de fadiga. 
 
- Sensação de injustiça: no ambiente corporativo é muito comum abrir mão da meritocracia em função de outros interesses: parentesco, relacionamentos afetivos, solicitação de amigos ou troca de favores. Isso gera um desgaste emocional intenso naquele que empenha esforços e acredita que a empresa irá valorizar sua dedicação. 
 
- Exigência de padrão inatingível: uma coisa é exigir que o funcionário trabalhe com 100% da sua capacidade; outra coisa é exigir dele o impossível. Estabelecer um patamar inalcançável, além de desumano, cria uma sensação de dívida permanente. 
 
Nossas emoções determinam nossa qualidade de vida. Para não adoecermos, é importante que o saldo se mantenha positivo.
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