Um pouco mais sobre o universo masculino

Simone Demolinari / 11/07/2019 - 10h39

Assim como as mulheres, os homens também têm um dia para chamar de seu. Aliás, não só um, mas dois. Em 19 de novembro é comemorado o Dia Internacional do Homem; em 15 de julho, a lembrança é somente no Brasil. 

A cada ano que passa, essa data vem ganhando força. O intuito é lutar por duas grandes causas: os cuidados com a saúde física e mental e a igualdade de gênero. 

Ambas as lutas se justificam. Os homens vivem em média cinco anos a menos que as mulheres. Uma vez que a fisiologia não explica essa diferença, fica evidente um descuido com a saúde. No plano mental não é diferente. A depressão e o suicídio vêm crescendo e atingindo números alarmantes na população masculina. 

Por uma questão cultural, social e também devido ao estigma que relaciona esse transtorno à “fraqueza”, muitos homens acabam sofrendo em silêncio.

A dificuldade para reconhecer e admitir sintomas da doença dificulta a solução do problema. Muitas vezes, as vítimas não conseguem admitir nem para si, muito menos para os outros. 

É onde mora o perigo. Homem tem muita dificuldade para falar das próprias emoções, para desabafar. A máxima “homem não chora” ainda existe, em menor escala, mas há resquício de uma opressão em que não era dado ao homem o direito de se expressar livremente. 

Aí entra a luta por igualdade da parte dos homens. Até parece estranho vê-los lutando por “direitos iguais”, já que geralmente essa batalha parte das mulheres. Mas tanto eles quanto elas sofrem devido à desigualdade. O machismo, que inicialmente dá vantagens, também oprime o homem quando não o rebaixa por não ser bem sucedido profissionalmente, quando tem estatura baixa, quando sente medo. O comando “vire homem!” é imperativo e não dá margem para que ele seja sensível, e, sim, o obriga a pertencer a um molde. 

O fato é que esse modelo do que é ser homem está ultrapassado. 

O padrão de masculinidade ficou tão alto que muitos homens são tomados pelos sentimentos de inferioridade e acabam seguindo por um de dois caminhos: uns se tornam ainda mais machões e para conseguir sustentar esse molde desenvolvem o lado narcisista e egoísta. E outros, menos rígidos, abandonam as imposições e largam o papel de “super homem”. 
 

O machismo, que inicialmente dá vantagens, também oprime o homem


Um documentário de 2015 intitulado The Mask You Live In ( A máscara em que você vive) mostra, por meio de uma investigação, como o modelo “macho dominante” afeta crianças, jovens e adultos. Os garotos revelam como é comum ter que esconder sentimentos como raiva e tristeza e confessam que já pensaram em tirar a própria vida por conta da dificuldade de se encaixar no padrão imposto e por não ter com quem desabafar. 

Além disso, alguns jovens que foram detidos por condutas violentas falaram sobre como a violência se tornou uma válvula de escape e uma forma de se afirmarem como viris nos grupos de amigos. 

Uma triste realidade que vem sendo aos poucos modificada. 

 

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