Um pouco sobre o fanatismo

Simone Demolinari / 23/06/2016 - 06h00

É entendido como fanatismo um estado psíquico de devoção cega, rígida e irracional por alguma coisa ou tema. O fanático defende suas causas com tanto fervor que, por vezes, flerta com o delírio, ficando impossibilitado de ouvir argumentos opostos ou entabular diálogo saudável com quem não coadune com a sua premissa. 


Algumas características são observadas nos fanáticos, tais como: agressividade, preconceito, dificuldade em escutar, ódio, visão maniqueísta, estreiteza mental. 

Vejamos alguns tipos de fanatismos: 

Fanatismo religioso – Pessoas que acreditam que o que é bom para elas é ideal para a humanidade. Tentam emplacar suas crenças forçadamente sob a justificativa de missão divina. Não escapa parente, amigo, colega de trabalho, vizinho ou cônjuge. Aliás, muitas amizades e casamentos são desfeitos em função dessa diferença. Quem não comunga da crença do fanático, não lhe interessa nenhum tipo de vínculo – um radicalismo contraditório, que por vezes culmina em mortes, e que em nada tem a ver com paz, que em tese, a fé deveria promover. 

Fanatismo artístico – Uma obsessão exagerada por alguma figura pública. Casos mais graves podem chegar à chamada “síndrome de adoração a celebridade” onde o fanático acredita que é correspondido e se comunica secretamente com o seu ídolo. Na sua fantasia essa comunicação pode acontecer através de sinais, afinidades, gestos. Um delírio de relação fictícia onde eles se sentem preparados para matar ou até para morrer. 

Fanatismo esportivo – Nesse quesito, o futebol ganha maior destaque. A paixão desenfreada pelo clube gera atrito, inimizade, brigas e até morte. Haja vista a violência nos estádios entre torcidas e torcedores. Em nome do time não se mede esforço: gasta-se o dinheiro que não tem, cumpre-se promessas insólitas, chora-se copiosamente a derrota e perde-se um campeonato como se tivesse perdendo um ente querido. Uma dor quase física. 

Fanatismo político – A adesão cega a uma legenda ou a devoção a um político faz com que esse tipo de fanático perca seu bem estar em razão da sua causa. Defendem a democracia, mas negam imediatamente a democracia de quem pensa diferente. O fanatismo político existe não é de hoje, talvez esteja percebido com mais nitidez na atualidade, mas quantos casos de amigos que viraram inimigos em função da política? Muitas vezes a amizade não se recupera, já os então ídolos rivais, em outro momento, se tornam colegas de partido unidos em prol de uma mesma candidatura. Ideologia elástica muito comum em políticos. 

O psicólogo social e pensador francês Gustave Le Bon (1841-1931) já havia observado o comportamento das pessoas que se unem em grupos formando uma espécie de mentalidade única irracional, sob a qual, em seu livro “Psicologia das Multidões”, escreveu: “Nas grandes multidões, acumula-se a estupidez, em vez da inteligência. Na mentalidade coletiva, as aptidões intelectuais dos indivíduos e, consequentemente, suas personalidades se enfraquecem”.

Convém fazermos uma permanente reflexão: nossas convicções nos liberta ou nos aprisiona?

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