Carro não é computador

Sobre Rodas / 05/04/2019 - 19h40

Ficar sem o veículo por problema mecânico é das coisas mais chatas que existem, especialmente em tempos de muita pressa e compromissos. Sem contar que, tão logo alguma coisa fora do esperado (e nós nunca esperamos que nada vá dar errado) apareça, inicia-se normalmente uma romaria em direção à autorizada, ou à oficina de confiança e, quando se trata de componente mais delicado ou raro; de pane menos comum, não há outra alternativa a não ser esperar. 

Muitas vezes praguejando a montadora, por não ter peças em estoque, ou comprando a ideia do mecânico, segundo a qual a “rebimboca da parafuseta” do seu modelo, justamente naquele ano de fabricação, é das coisas mais difíceis de se encontrar no planeta – se ainda resta a dúvida, foi só uma brincadeira com algo que não existe na prática, nem pode ser encontrado numa casa de autopeças.

Dito isso, me chama a atenção o fato de que muita gente trata um veículo como um computador. Na linha do, “enquanto não dá problema, tudo certo, é só ligar e desligar”. Não poderia haver comportamento pior. Se num equipamento eletrônico realmente há pouco a fazer para ajudar na conservação, no caso de um automóvel a história é completamente diferente. A começar pelo modo de condução – se mais cauteloso e atento, provavelmente vai fazer com que cada pedaço da ‘engrenagem’ dure mais tempo e não cause dor de cabeça.

E há um mínimo que deve ser seguido, tenha o proprietário ou não intimidade com a mecânica básica. A começar pela calibragem dos pneus, a checagem do estado dos sulcos e sua profundidade, a atenção aos indicadores do painel – temperatura constantemente elevada do motor, por exemplo, é indício de que falta fluido no reservatório (o que deve ser observado com frequência) ou de que algo a mais está errado, muito antes de acender a luzinha que mostrará que a coisa é mais séria. E há ainda a ‘bendita’ troca de óleo (e de seu filtro), muito mais importante para a saúde do motor do que se possa imaginar.

As baterias mais recentes trazem ainda indicadores de carga e desgaste, mais um componente que pode ser monitorado. Além disso, filtro do ar condicionado não dura para sempre, especialmente se não recebe limpeza constante.

Em nenhum desses casos, a falta de tempo ou familiaridade servem como desculpa. Encontrar quem faça quando não se sabe não é tão complicado (ou caro), e sempre melhor do que deixar a coisa desandar e ficar a pé por motivo mais sério. Tudo bem que há o imponderável, o imprevisível, a peça mal feita cujo lote foi parar justamente no seu veículo mas, quanto a isso, realmente não há muito a ser feito, a não ser algumas preces, para quem tem fé.

Por outro lado, quanto menos motivos potenciais de problemas, melhor. Se você ainda acha que carro deve ser levado como computador, está mais do que na hora de mudar de opinião. Pode até ser que você tenha a sorte de, durante o tempo de propriedade de um veículo, não passar por nenhuma dor de cabeça maior, mas só por sorte mesmo. O ideal é fazer a sua parte – depois não adianta reclamar.

 

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários