Divisor de águas, que já chega tarde

Sobre Rodas / 07/09/2019 - 01h56

“Um pequeno passo para o homem, um grande passo para a humanidade”. Assim falou o astronauta Neil Armstrong ao colocar os pés na lua, há exato meio século. Um feito que teria sua grandeza determinada nos anos seguintes, e que abriu o caminho para que chegássemos mais longe nesse universo infinito.

Não, a coluna não é sobre o jipe usado para conhecer a superfície lunar, o assunto são os veículos terrenos mesmo. Mas a frase me veio à cabeça com o lançamento da 12ª geração do Toyota Corolla, o automóvel mais vendido da história. Nem tanto pelo visual atualizado, pela proposta menos sóbria; uma rejuvenescida bem-vinda que já havia sido feita pelas rivais Honda (Civic) e Chevrolet (Cruze). É verdade que o Corolla é daqueles carros que vendem tenha a forma que tiver, mas modernidade é sempre bem-vinda.

O que chama a atenção mesmo é uma palavra presente na configuração topo de linha Altis: Hybrid (híbrido). O motor 2.0 (também novo) ganha a ajuda de um sistema elétrico relativamente simples que regenera a energia nas frenagens e reacelerações para proporcionar potência extra sem aumento de consumo e com menor emissão de poluentes. E isso rodando também com o etanol, o que é algo inédito.

Melhor do que isso, o preço cobrado pelo modelo não é propriamente uma pechincha, mas também não é proibitivo se comparado com as versões apenas a combustão. O que justifica levá-lo em conta na hora de escolher, seja pensando no respeito ao meio ambiente (o que certamente pesa mais), seja considerando o impacto positivo no bolso, com as visitas mais espaçadas aos postos.

“Ora, mas a mesma Toyota lançou o Prius antes, vários deles já rodam por aqui, você há de dizer”. Sim, mas não era um híbrido ‘para as massas’. A começar pelo visual, que não agrada a todos. A manutenção é mais complicada e o preço nada convidativo, a não ser que o cidadão se anime a fazer as contas do quanto pode economizar em anos e anos de propriedade.

O Corolla Hybrid é... um Corolla. Traz um ‘plus’ a uma base que já é sucesso, não é necessário abrir mão das formas do modelo; do espaço interno e do porta-malas. No visual, há uma diferença, e apenas uma: o DRL azul na dianteira, para ressaltar a proposta limpa.

Aí está o ‘grande passo para a humanidade’ lá do começo do texto. Com ele, abre-se um caminho que é inevitável e sem volta. Até chegarmos a um ponto em que ter a ajuda da energia elétrica será tão ou mais necessário do que airbags ou controle de tração.

E se há motivos para comemorar, por outro lado é uma pena que só agora, quando várias montadoras apostam no híbrido, a primeira delas resolva tomar a frente e mostrar (por aqui) o caminho. Não estou falando em carros totalmente elétricos, para isso ainda vai um bom tempo, mas motores auxiliares; sistemas plug-in e o que mais possa aumentar potência e torque sem queimar gasolina, álcool ou diesel. Uma tecnologia que chegou primeiro às ruas para depois aparecer na F-1 e nas competições. E que em tempos de queimadas e preocupação com o meio ambiente se mostra ainda mais relevante.

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