Mais uma do celular

Sobre Rodas / 03/05/2019 - 18h35

Sempre que o tema volta à coluna, eu faço questão de deixar claro antes: sou motociclista, adoro o mundo das duas rodas e a sensação que só uma viagem com amigos proporciona. E não se trata de tamanho ou cilindrada da máquina, é possível se divertir e se deslocar de forma prática ou econômica com qualquer uma, o problema costuma estar na peça entre o guidão e o banco – me refiro a quem vai ao comando e seu modo de encarar as ruas e o trânsito, nem sempre o mais seguro e o mais correto.

Pois eis que, com a evolução da tecnologia, aquela velha entrega da pizza dos momentos de aperto virou filão lucrativo para aplicativos e empresas de delivery. O mesmo aplicativo que serve para pedir um carro agora pode trazer o ‘rango’ ou mesmo garantir as compras de supermercado sem que o consumidor precise sair do sofá de casa.</CW>

E não só esses entregadores que agora trafegam com uma caixa nas costas, mas principalmente eles, dependem absurdamente das informações do celular, tal e qual os motoristas dos carros. O que fez surgir uma onda de acessórios capazes de colocar o telefone ao alcance dos olhos sobre o guidão. Nele aparecem o mapa do itinerário, as próximas encomendas, a oferta de serviço.

Só que, como lembra o árbitro, a regra é clara. Diz o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) que não só usar um aparelho para sua função primária (falar) como manusear quando ao volante ou ao guidão é infração gravíssima, com a perda de sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

E aí eu pergunto: quem aqui nunca viu um motociclista no tráfego dividindo a atenção entre o que está pela frente e o telefone, o que muitas vezes reflete na velocidade ou no grau de atenção? E eu nem digo parado num sinal vermelho, um momento em que a ação seria menos perigos. É a mesma história da turma que, até hoje, colocava o aparelho junto ao forro do capacete para conversar enquanto acelerava.

Antes que alguém argumente que a tela não é muito diferente do painel (aliás, as motos mais novas ou de maior cilindrada trazem efetivamente um tablet, ou uma tela LCD touch), lembro que são casos completamente diferentes. 

Ninguém anda com os olhos grudados no painel o tempo todo, apenas eventualmente, para conferir o nível de combustível no tanque, o regime de rotações ou outra informação útil do equipamento. A posição da tela é pensada durante o projeto da máquina para provocar a mínima distração possível, não é um suporte plástico preso onde dá, e muitas vezes estamos falando de máquinas que pegam longos trechos de estrada sem tráfego, não daquelas que, se avançarem um cruzamento, podem transformar uma entrega em tragédia. 

Eu sei que há prazos, cobrança, que quanto mais rápido melhor, mas nada pode ser mais importante do que a vida humana, seja de quem está na moto, seja de quem pode ser atingido por ela numa fatalidade. Tecnologia também existe para criar um sistema mais seguro de transmissão de informações.

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