O momento é dos novos

Sobre Rodas / 05/07/2019 - 21h49

O que é mais fácil: acertar as dezenas da Mega-Sena acumulada ou prever o futuro próximo do mercado de automóveis no país? Olha que a resposta não é tão óbvia quanto parece. Mesmo os executivos das montadoras devem quebrar muito a cabeça planejando os próximos movimentos de seus comandados num jogo de xadrez digno de mestre russo. Muitas vezes quando o cenário parece ruim e traz consigo nuvens cinzentas, os números mostram uma realidade diferente.

Bem verdade que há fases de recessão que caem como uma bomba nos totais de vendas e afastam os consumidores das concessionárias e lojas de seminovos. Mas não deixa de ser curioso constatar como está a situação atual num cenário em que a economia, no máximo, faz como o caranguejo e anda de lado, sem grandes motivos para euforia. Como se não bastasse, a alta do dólar frente ao real complica as coisas, já que encarece todo o processo produtivo. Muito do pacote que compõe um veículo ainda vem de fora e, até onde se sabe, nenhuma montadora está disposta a fazer caridade e assumir o gasto extra.

E ainda tem, como já comentei aqui, a situação da vizinha Argentina, que fez várias fábricas pisarem no freio e adiar ou cancelar planos para novos modelos. A picape Classe X da Mercedes ganhou companhia no SUV cupê Arkana, da Renault, mostrado inicialmente na Rússia e que tinha quase o passaporte carimbado para a América do Sul, mas pelo visto, cancelou a viagem. Não chegaria à região com preços competitivos diante de uma concorrência de pesos pesados já estabelecida no segmento (BMW, Mercedes e Audi).

Pois, com isso tudo, a venda de modelos zero quilômetro segue de vento em popa. O primeiro semestre chegou ao fim com alta de 8,5%, na soma dos automóveis e comerciais leves, em comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com os dados da Fenabrave. E curiosamente, usados e seminovos, mais acessíveis, vivem cenário de estabilidade (alta de 0,6%). Eles que, nos momentos mais críticos da economia, seguraram a barra e os números bastante positivos.

Eu juro que tento entender o que acontece, tanto mais considerando que 2018 não foi um ano, na economia, tão complicado (houve coisa pior na década). Os carros populares a menos de R$ 30 mil não existem mais; os preços médios cresceram e o acesso ao crédito não foi aumentado. Bem verdade que a taxa básica de juros estável nos menores índices da história recente favorece, mas ainda assim o crédito no Brasil é caro, e a carga tributária elevada ao extremo.

De todo modo, são números a comemorar, especialmente considerando que vem coisa boa por aí logo: a segunda geração dos líderes de venda Onix e HB20. Modelos que ‘carregam o piano’ e são, em boa parte responsáveis pela fase das estatísticas no azul. E se estamos diante de um sinal de que mais gente está conseguindo comprar seu zero quilômetro, que assim continue. Sempre sonhando com preços justos e acessíveis...

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