O que seria do verde?

Sobre Rodas / 10/08/2019 - 06h00

Não, amigo leitor, o assunto dessa coluna não é o meio ambiente (que aliás tem tudo a ver com os veículos e a emissão de poluentes). Mas aquele tradicional dito popular “O que seria do verde se todos gostassem do vermelho?”. Que a gente sempre usa quando quer se referir às preferências diferentes, muitas vezes sem uma explicação lógica.

Trazendo a história para o mundo sobre rodas, chama a atenção o sucesso que alguns modelos fazem mesmo diante de uma concorrência qualificada, e por vezes mais moderna. Exemplos são vários, mas o mais emblemático é um só: o do Toyota Corolla, que reina absoluto por aqui entre os sedãs médios, embora tenha como rivais o Honda Civic e o Chevrolet Cruze.

“Ah, mas isso é simples: é carro japonês, não quebra, quem tem só troca por outro mais novo”, já ouvi muita gente dizer, com alguma autoridade. Só que o mesmo pensamento vale para o Civic. Não por acaso os japoneses são conhecidos pela qualidade dos produtos e a durabilidade – tirando quem não anda com a sorte em dia, se há algo que não combina com os nipônicos é oficina ou dor de cabeça. Podem não ser os mais bonitos, desejados ou modernos, mas trazem um valor agregado inquestionável. Basta ver a baixa desvalorização dos exemplares seminovos e usados, e como são indicados como opções interessantes para quem procura um segunda mão equipado, robusto e confiável.

O curioso é que a décima geração do Civic dá um banho em todos os aspectos na 11ª do Corolla, pouco ousada, formal e sem muitas invenções de moda. O que isso mudou na relação entre as vendas de um e de outro? Nada. São duas ótimas opções, mas o Toyota leva de goleada quando o assunto é o sucesso nas concessionárias e entre o consumidor.

A Honda até se mexe, voltou a incluir uma configuração de entrada LX na gama de seu sedã para 2020 (com preço abaixo dos R$ 100 mil); procurou equipar melhor as versões, deu o famoso tapinha no parachoque dianteiro. Seu produto se mantém honesto e com muito mais predicados do que defeitos, daqueles que, no interior, se chama de ‘feijão sem bicho’.

Só que... e aí vem o tamanho da encrenca para uma parte do pelotão japonês. Em outubro desembarca a 12ª geração do Corolla, essa sim mais ousada e marcante do que as anteriores. Carregada pela mesma enxurrada de elogios de públicos como o norte-americano do que a reservada para o Civic quando mostrado em suas formas atuais.

Fico até imaginando se o público mais ‘conservador’ pode se incomodar com a evolução, mas acho difícil. Tanto mais que o Yaris ajudou a ampliar as opções da marca e pode representar uma plataforma de entrada para o ‘Mundo Corolla’. Se na soma geral o Chevolet Onix lidera com folga, mas em outros segmentos a briga de foice, está aí mais um argumento para acreditar que o nipônico mais vendido continuará puxando a fila com folga. Por qualidade e por outros fatores que fogem à lógica, diga-se de passagem.

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários