Os próximos meses prometem muita coisa boa

Sobre Rodas / 31/08/2019 - 06h00

Quando o cenário econômico não é dos melhores, a indústria do automóvel prefere pisar em ovos e evitar investimentos, à espera de dias mais favoráveis. Basta ver o que acontece na vizinha Argentina, com vários projetos suspensos, ao menos por enquanto. Projetos que, como já comentei por aqui, interessavam também o Brasil, como o da picape Mercedes-Benz Classe X, que seria produzida em Córdoba, mas, pelo visto, só vira, se vier, importada da Europa (bem mais cara).

Longe de dizer que as condições no Brasil são as mesmas, mas ainda estamos longe da euforia da década anterior, quando o bom humor em todo o mundo fez os números de veículos vendidos por aqui baterem todos os recordes. A recuperação é lenta, degrau a degrau, mas felizmente constante.

Tanto que os próximos meses prometem muita coisa boa, sinal de que as montadoras enxergam céu azul pela frente (está aí uma turma que não joga para perder, muito menos está disposta a fazer caridade com o consumidor). Basta ver os lançamentos próximos e os modelos anunciados nos últimos dias (como você confere na matéria ao lado).

Até o fim de 2019, teremos segunda geração de Onix e HB20 (bem como os respectivos sedãs); Corolla, com versão híbrida e o SUV Territory, da Ford. Que nadou contra a maré ao tirar de linha Fiesta e Focus, concentrando esforços nos utilitários esportivos. Não custa lembrar que já tivemos o T-Cross e o novo chegando às concessionárias.

Para o ano que vem são esperados o novo Peugeot 208; Nissan Versa e Sentra, e os SUVs compactos de VW e Fiat (que também prepara um modelo maior sobre a plataforma da Toro) – o discurso comum é de bastante dinheiro investido; novo maquinário, ampliações e novidades na casa da dezena pelos próximos anos. O que inclui a aposta nos híbridos e elétricos, cada vez mais inevitável, ainda que tenhamos muita gasolina para queimar por um longo tempo. Mas, principalmente, ajuda a dar o adeus definitivo a tecnologias atrasadas e em desuso nas principais potências. Motores menores, turbinados e mais eficientes são hoje uma exigência, não só pelas leis anti-poluição, mas também por oferecerem mais com menos.

É evidente que tanto otimismo precisa ter por trás uma boa dose de planejamento e preparação. Não adianta ter mais e melhores modelos se não houver poder de compra; se eles forem apenas um sonho distante para boa parte da população. Para convencer um conselho de administração a abrir o cofre e gastar centenas de milhões, ou até bilhões para crescer e produzir novidades, é necessário enxergar e oferecer condições para que isso aconteça.

O simples fato de as gigantes europeias e asiáticas acreditarem no potencial econômico dos próximos anos é um ótimo sinal. O desafio, no entanto, é oferecer cada vez mais sem repassar a conta para quem compra, algo que normalmente acontece. Os veículos de passeio ainda são, por aqui, necessários e fundamentais, e não devem se transformar em sonho impossível.

 

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários