Bem vindo de volta, Frederico

Thiago Pereira / 29/12/2017 - 12h30
Fred Cruzeiro

Hoje começamos esta coluna com um filminho deprê. O ano é 1999, e estamos todos de ressaca pela quantidade de vices-campeonatos no ano anterior (Brasileiro, Copa do Brasil e até uma maldita Mercosul). Ainda assim, temos mais um dos belos times celestes montados nos anos 90, desta vez liderado por um inspirado Müller e tendo o eterno Ricardinho como dono da volância. 

Fizemos grande campanha no Brasileirão, nos classificando em segundo para os confrontos finais. Nosso adversário seria o rival local, que se classificara em sétimo. Em uma daquelas maluquices típicas de regulamento da época, teríamos até três jogos para definirmos quem passava de fase. 

Fomos eliminados em dois confrontos, ambos com vitória alvinegra. No segundo, uma virada cretina, com um gol de peito ainda mais cretino, marcado pelo mais cretino dos algozes que me lembro, Guilherme. Um jogador mediano, mas que teve temporada espetacular em 1999. 
Na arquibancada do Mineirão, sentei e chorei feito um imbecil. Nunca senti tanto ódio de um jogador. Nem em 2009 me lembro de sentimento tão ruim. 

Cinco anos depois, Libertadores da América. Oitavas de final, contra o Deportivo Cáli, Mineirão. Perdemos o jogo na Colômbia pelo placar mínimo, e terminamos o primeiro tempo perdendo. Alex empata no começo do segundo, mas precisávamos da virada a qualquer custo. O tempo ia passando, a ansiedade crescendo, nada do gol vir. O estádio começa a gritar o nome dele. Eu, teimoso, me recusava. Ele entrou. Aos 41, marcou o esperado gol da virada. Comemorei enlouquecidamente e, derrotado pela suada vitória, me rendi ao coro geral, que louvava o nome dele. 

Ele, no caso, era Guilherme. Ele mesmo. O próprio. 

Fim do filme – evitaremos os créditos finais, que mostraria Alex perdendo um pênalti (!!!) e o Cruzeiro, sua vaga. </CW>

Por que rebobinamos esta fita esta semana? Pra mostrar que, no futebol, somos no geral, um bando de otários. Nossa estatura moral, rigidamente construída por anos de bunda queimada nos estádios, por milhares de reais gastos por torcer, por milhões de cervejas consumidas, por zilhões de brigas com amigos ou com as companheira(o)s, se dissolvem ao gol mais pilantra, mais safado, mais necessário. 
Seja lá quem for o agente responsável por esta glória. O futebol “moderno”, com tudo que ele representa, é uma merda? É uma merda. Existem clichês que realmente fazem sentido nessa história, como aqueles que dizem da falta de amor à camisa, dos mercenarismos, etc, etc, etc? Existem. Eu vou deixar de comemorar gol do Cruzeiro? Não. E quem são os caras que fazem gol no Brasil hoje? Poucos.

Um deles é o Fred. De quem, nunca neguei, sou fã. Quem acompanha este espaço sabe: dia desses estava clamando por um camisa 9, um matador, um artilheiro, por aqui.

Claro que fiquei pistola com o fato de ele ter jogado no lado de lá. Mas, sinceramente? Já tinha deixado de lado esta obsessão “Fred é cruzeirense” há tempos. Afinal, a especialidade do cara era marcar gol na gente. Tinha uma época em que ele não comemorava. Depois, passou a comemorar. E, no final das contas, os gols estavam lá, anotados no placar, certo?

Já vivemos coisas muito piores.

Entendo quem discorda deste raciocínio – que aliás, é bastante conveniente para o meu argumento, reconheço. Entendo quem o chama de Judas e Falsiane. Mas quero estar abraçado à todos quando Fredão marcar

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários