Libertadores ainda que tardia: Adeus amigos?

Thiago Pereira / 29/08/2018 - 15h50

O ano de 1995 marcou uma das páginas mais curiosas do futebol brasileiro. A promessa de que o Flamengo faria um supertime para celebrar seu centenário se transformou em pesadelo: um derrota histórica para o Fluminense no Carioca (jogo do famoso gol “pélvico” de Renato Gaúcho) e um hit que virou cantiga popular (“Pior ataque do mundo/Sávio, Romário e Edmundo”).

Só que me lembro bem de estar no Mineirão, e, junto com a China Azul, bater palmas e cantar parabéns para os rubro-negros pela marca histórica atingida. Tinha meus 13 anos de idade, e achei aquilo um negócio muito civilizado– nem mesmo o placar desfavorável ao fim do jogo me gerou ranço pelo escrete carioca.

Tenho simpatia pelo Flamengo, creio que, primeiramente, por conta do meu pai. Um jovem nos anos 80, creio que ele foi daqueles milhões capturados pela combinação mídia de massa + Zico, Nunes, Adílio, etc. Se tornou cruzeirense por conta dos filhos, mas, me lembro bem da lição: “Antes de qualquer coisa, sou anti-atleticano”.
É fácil fazer as contas para dimensionar ainda mais minha simpatia pelo clube carioca: como anti-atleticano, os inimigos dos meus inimigos são meus amigos. Se eles “amam” apontar o rubro-negro como rivais (para ter de volta um silêncio e um desprezo histórico dos cariocas), quem sou eu para nutrir raiva do “Mais querido do mundo”, como dizem meus amados amigos cariocas?

Ah, e claro: o Flamengo que eu vi e aprendi a ter afeto é um puta de um freguês do Cruzeiro. 

Tirando aquela desclassificação na Copa do Brasil, em 2013, não me lembro de nenhuma grande tragédia proporcionada por eles. Já as alegrias, me vem rapidamente à mente: o título do ano passado, o baile em 2003, o gol olímpico de Pet no Mineirão...Ops, este foi contra os vespasianos.Mas tá valendo.

Enfim: se tudo seguir o script, hoje eles nos ajudarão, novamente, a seguir a grande meta do ano. Afinal, nem nos sonhos mais perfeitos do Mano Menezes, o placar que entraremos em campo logo mais (2 X 0) seria tão adequado. O que, é claro, denota também o perigo: é preciso estar alerta e forte Cruzeiro. Pra cima deles, buscar aquele gol que fecha a tampa do caixão, mas sem em nenhum momento descuidar da defesa. Ao fim desta etapa, restará dizer, agradecidos: adeus amigos! 
 

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