Libertadores ainda que tardia: Nostalgia, me tens de regresso

Thiago Pereira / 25/05/2018 - 16h06

Quarta-feira, cheguei empolgadíssimo na redação. O sono da noite anterior fora curto e agitado, de tão elétrico que fiquei após a partida no Mineirão. Soma-se a este conjunto, litros de café consumidos poucas horas antes de pisar no jornal e, pronto: a excitação é a mãe das verdades imediatas.

“Gostaria de saber se alguém viu um jogo tão bom quanto o Cruzeiro X Racing de ontem, em 2018”, menos perguntei que exclamei, para a redação vizinha, do esporte. A vinculação foi mínima, e as desconfianças de tamanha bobagem que eu estava falando, máxima. “A goleada contra o Universidad...”, soltou um; “Os jogos da Roma” na Champions League, elencou outro. 

Ainda bati o pé, filtrando meu argumento até o máximo possível– “Não estou falando do Cruzeiro”, “Não estou falando de qualidade técnica”, “Estou me referindo apenas ao futebol Sul- Americano”. Uma coleção de insistências que rapidamente me calaram e me convenceram do pequeno absurdo que eu tentava plantar ali, justamente ali, naquele campo de craques do assunto.

Qual afinal foi o motivo do meu encantamento com o jogo que nos garantiu o sonhado primeiro lugar do grupo? Aquilo que, ainda no primeiro tempo, me fez disparar, febril, para os tantos grupos online que faço parte, em nome da boa resenha futebolística, odes apaixonadas ao que a tela da TV me mostrava?

Na real, Cruzeiro e Racing foi o álibi para, em 90 minutos, acionar uma espécie de viagem sentimental ao futebol que assistia, menino, nos anos 90. O adversário ajudava, já que tenho memórias afetivas fortíssimas de confrontos contra gigantes sul-americanos neste período. De jogos (a noite, sempre à noite) em um Mineirão cheirando a churrasquinho filé miau e da maconha escondida nas bandeiras; de um público realmente democrático e inclusivo; e, especialmente, de um mar azul que nenhuma tela de celular conseguiria registrar, dígitos humanos que não voltam jamais.

Ah, e o futebol, claro. Irresponsável, porra louca, desesperador. Não conferi os números do jogo de terça, mas confio no que minhas retinas registraram: contra ataques insanos, tapões que tentavam ser despercebidos, bolas na trave, os hermanos parando o jogo com puxões desesperados de camisa e a gente desesperado com os cojones dos caras em partir pra cima. No fim, dei aleluia por dois motivos: a vitória no placar final e o fato da goleada que se desenhava no começo do jogo não ter pintado. Tudo que precisávamos agora é deste choque, que quebra qualquer salto alto.

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