Que a imagem do Cruzeiro resplandeça

Thiago Pereira / 17/10/2018 - 17h38


É impossível não misturar as coisas nestas conturbadas semanas que temos vivido. Como disse recentemente para um amigo: nunca perdoarei o ano de 2018 e este deplorável “jogo eleitoral” me tirar a atenção da possibilidade de conquistarmos, em outro jogo, um inédito bicampeonato da Copa do Brasil e nos tornarmos os maiores vencedores desta competição. Mas sei que os seguidores deste espaço já  estão acostumados à colunas dedicadas a pensar o futebol para além do jogo e das rivalidades.

Gosto de vê-lo como espaço de civilidade, exemplos morais, sensibilidades múltiplas, alteridade e todos os outros termos que sirvam de sinônimo para o conceito de democracia. 

Nosso adversário hoje, aliás, escreveu de forma definitiva, primeiro em sua história, depois no livro do futebol brasileiro, esta palavra. Casagrande, Wladimir, e, claro, Sócrates (para ficar nos nomes mais visíveis) se esforçaram para provar que o esporte não é imune ao que acontece fora dos estádios, dos campos de treinamento, das coletivas de imprensa. Na verdade, deixaram claro que o futebol, como tudo na vida, é política- o que não necessariamente tem a ver com partido, com legenda, com candidato x ou y.

Política é um termo que os gregos inventaram para dar conta da relação entre os cidadãos e os espaços públicos. Assim sendo, futebol é política quando escolho não agredir alguém que usa a camisa do adversário. Futebol é política quando duvido do funcionamento de entidades como a CBF ou a Fifa. Futebol é política quando acredito que os estádios deveriam ser para todos (pobres, mulheres e gays inclusos) e não para alguns. Futebol é política quando Sócrates e Reinaldo levantavam os braços para nos lembrar que a importância e a genialidade deles não estava apenas nos pés. 

E futebol é política quando o ex-celeste Paulo André, comanda o "Bom Senso F.C" e se recusa a confundir política com partido, como fez recentemente no Paraná.

É política também quando o genial Alex não se furta a falar o que deve ser falado.

É política quando o rei Juan Pablo Sorín afirma em rede nacional que “o futuro das gerações, educação, cultura, não pode jogar para o lado. Eu acho que o futuro não tem a ver com as armas. Não tem a ver com a violência. Acreditar nas novas gerações, pra isso você tem que dar livros, tem que dar comida, tem que ter um aspecto social importante”. 

De Sócrates à Sorín: temos um longo caminho pela frente. Espero que na madrugada de hoje, façamos política no sentido mais literal; que nós cidadãos tomemos a cidade, o Brasil, o mundo e ocupemos todos os espaços com o azul celeste de nossas camisas.

Que nós cantemos ainda mais forte aquele trecho de nosso recentemente mal usado hino: que imagem do Cruzeiro resplandeça. Junto à da democracia, sempre. 
 

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